É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI

DISCUSSÃO SOBRE AS POLÍTICAS ECONÔMICAS

25.12.08

EM DEFESA DO LIVRE MERCADO

Nestes tempos de turbulência, poucas vozes se levantam contra essa quase unanimidade na imputação da culpa ao livre mercado pela atual crise. Sinto que há a necessidade de mais contraditórios e acredito que com isso muita gente poderá mudar de idéia. Foi preciso muita coragem e convicção para escrever este artigo, diante das manifestações pró-intervenção de nomes de peso da área econômica e da gritaria da grande maioria dos defensores do anti-mercado.

Quando vai ao supermercado e compra um iogurte, você está interagindo no mercado, ou seja, no sistema de preços e produção. Você está mandando um recado aos empresários, dizendo para que mantenham ou aumentem o capital investido na produção do seu iogurte preferido. Se não concorda com isso e foi um eleitor do Lula, então você, de modo semelhante, acha que o seu voto não teve nenhuma importância para a eleição do Presidente da República. Então talvez você pense: - se eu não comprar o iogurte não haverá alteração nenhuma na sua produção. E se eu não tivesse votado no Lula ele seria igualmente eleito.

Mas, e se a grande maioria pensar como você? A fábrica de iogurte fecha e o Lula não teria sido eleito, correto? Os fabricantes de iogurte e de todos os outros tipos de mercadorias existentes travam uma luta diária para conquistar e manter a sua preferência, assim como o Lula lutou para conquistar o seu voto. A diferença é que os empreendedores precisam da aprovação diária para os seus produtos, enquanto que os políticos têm um período de alguns anos de pré-aprovação. Se o empresário não atender as expectativas dos consumidores, será banido imediatamente da sua atividade. O mercado é ágil. Já a substituição dos políticos e suas políticas desenvolvimentistas, levarão alguns anos. Muitas vezes o autor de determinada lei já morreu, mas ela continua lá fazendo estragos por longos anos até que, talvez um dia, seja revogada.

Traço este paralelo entre o consumidor e o eleitor somente para demonstrar a importância de um único consumidor e de um único eleitor nos processos econômicos e eleitorais, respectivamente. Quando o consumidor é ignorado nesta consulta para a orientação da produção, ou seja, quando os políticos e os tecnocratas são quem determinam quais as áreas econômicas que devem ser desenvolvidas, acabam sendo produzidas algumas coisas em excesso e outras deixam de ser fabricadas. Essas desorganizações das produções, dependendo do volume e da persistência com que ocorrem, causam distorções no sistema de mercado podendo chegar a graves crises econômicas como a que está ocorrendo nos EUA. Quando os recursos são aplicados de maneira equivocada, chega um momento em que é preciso parar e corrigir o rumo. Essa reorientação sempre é acompanhada de uma recessão, quer queiram quer não. Este é o caso quando os governos e seus tecnocratas ignoram as possibilidades do mercado, os desejos e as ordens dadas pelos consumidores.

Quando um empresário falha na identificação das ordens dos consumidores, apenas a sua empresa e os seus empregados pagam a conta do fracasso. Mas quando um governo, ao tentar substituir as leis de mercado por operadores tecnocratas, erra o caminho, todos os ramos de atividade são prejudicados. As falhas de mercado, ou dos agentes do mercado, são menores, isoladas e se resolvem caso a caso. Quando uma empresa desaparece, os seus clientes passam a ser atendidos pelas sobreviventes do mesmo ramo, fortalecendo-as. Já as falhas de governos são grandiosas, contaminam toda a economia, há lentidão na identificação do erro cometido e na sua resolução.

Os homens públicos adoram passar para a História sendo lembrados como os grandes desenvolvedores de uma área econômica específica. Politicamente é uma jogada genial, para a economia e para o povo é uma desgraça. Juscelino foi o homem da indústria automobilística. Seu slogan era: governar á abrir estradas. Lula se diz o presidente da auto-suficiência do petróleo, Brizola é lembrado como o homem da educação. Até os do norte prometeram uma casa para cada americano. Não que todas estas coisas não sejam importantes, antes pelo contrário. Mas os consumidores são quem, em última instância, devem definir onde será aplicado o capital disponível - como numa espécie de orçamento participativo automático, diário, dinâmico, espontâneo, ininterrupto, inconsciente, justo e natural – caso contrário sempre haverá problemas econômicos e as recorrentes crises. Vejo o livre mercado como sendo a própria democracia direta, porém com a grande vantagem de eliminar o atravessador político, ou seja, o livre mercado é a democracia diretíssima.

Um sistema de tamanha complexidade, como é o sistema de mercado, que funciona automaticamente de acordo com o interesse e a ação de cada indivíduo integrante da sociedade, jamais será vilipendiado por pessoas que se acham mais capazes de ditar os rumos da economia em lugar da opinião de milhões de consumidores, sem sofrer as inevitáveis conseqüências. O pensamento e a ação contrários a isso contêm, de fato, muita arrogância. Se um único consumidor, ao interagir no mercado, influencia nas decisões dos empresários e no rumo da economia, imagine o governo com todo o poder econômico que tem nas mãos, principalmente com o investimento de capital inexistente. Enfim, não aceitar a decisão soberana dos consumidores (o povo) é uma tremenda falta de democracia econômica. É a pior das ditaduras.

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29.5.08

O IMPOSTO INVISÍVEL

Através da ausência da parcimônia, e de um imposto invisível decorrente do monopólio do Estado na emissão da moeda, podemos demonstrar uma das maiores causas da falta de crescimento econômico permanente em todos os países de uma forma geral. O crescimento de uma empresa ou de um país só ocorre quando o capital acumulado é investido com o objetivo de aumentar a produção. Se uma empresa distribuir, hipoteticamente, todo o seu lucro entre seus empregados, o que pareceria muito justo aos olhos de alguns, e que teria grande simpatia entre os defensores da artificial distribuição de renda, e presumindo-se que os empregados direcionarão aqueles recursos para o consumo, a empresa não terá crescimento. Se assim também as demais empresas agirem, não haverá crescimento dentro do país onde essas empresas estiverem instaladas, levando-se em conta que o aumento do PIB é o resultado do somatório do crescimento de todas as empresas. Desta maneira, toda a poupança estará dirigida para o consumo, ou seja, não haverá poupança, e nada será destinado ao investimento com vistas ao aumento da produção.

Por outro lado, quando uma empresa usa o seu lucro para aumentar a sua planta, adquirir mais uma máquina, contratar mais um empregado, ela está, por assim dizer, tomando emprestado o que seria imediatamente distribuído aos atuais trabalhadores, para construir o caminho que proporcionará o ingresso dos desempregados e das novas gerações ao mercado de trabalho, processo que se repetirá se transformando num círculo vicioso positivo, o chamado “círculo virtuoso”. Assim, naturalmente, pelo interesse próprio, as empresas substituem com vantagens as “ações altruístas” deliberadas.

Observando o sistema atual, mesmo se tivéssemos governos totalmente responsáveis no tocante ao controle da moeda, quando o PIB crescer um percentual qualquer, o governo, na condição de único responsável pela oferta monetária, tem a obrigação de emitir moeda para propiciar a circulação das mercadorias ao mesmo nível geral de preços que eram praticados antes desse aumento do PIB, pois caso contrário, isto é, se o governo não colocar mais dinheiro em circulação, os preços terão uma queda geral relativa ao aumento do PIB: uma “deflação”.

Em outras palavras, como sabemos que em uma economia de mercado os preços se ajustam à quantidade de dinheiro e crédito em circulação, então com mais produtos e a mesma quantidade de dinheiro, as leis de mercado proporcionam uma queda geral nos preços, e para que isso não ocorra o governo deve colocar mais moeda em circulação. Do mesmo modo quando o governo, na condição de único responsável pela emissão de moeda, injeta dinheiro no mercado acima do aumento do PIB – como o fez desbragadamente no Brasil há alguns anos – há uma alta geral dos preços, o que chamamos de inflação.

Assim como a inflação é indesejável, a deflação também o é. O que interessa é a estabilidade. É aí que ocorre um fenômeno interessante. Como é que, mesmo quando necessário, o governo injeta mais dinheiro em circulação? Através do próprio consumo. Como sabemos, o governo é, em todos os níveis, um grande consumidor onipresente dentro do país. Ele consome desde cafezinho e açúcar para os seus funcionários até máquinas de todos os tipos e tamanhos. Alguma parte desse dinheiro novo acaba indo para o investimento produtivo, mas não sabemos qual o percentual, pois não dispomos de nenhum mecanismo que possa mensurar isso com seguraça. O tamanho do crescimento é diretamente proporcional àquela quantia que é aplicada ao investimento produtivo. Porém a maior parte dessa quantidade de dinheiro novo colocado pelo governo em circulação, vai para o consumo e não para o investimento produtivo. A maior parte do montante das poupanças de todas as empresas acaba indo, desta maneira, via governo, para o consumo. É por isso que o crescimento sempre vem acompanhado de inflação, situação que faz com que o governo, num segundo momento, tenha que pisar no freio da economia.

Como fica claro, o monopólio sobre a emissão de moeda trás embutido um imposto invisível e progressivo sobre o crescimento econômico. Se o PIB, por exemplo, crescer 3%, o governo gasta 3% a mais para fazer o equilíbrio monetário. Se o PIB crescer 10%, o governo gasta 10% a mais para manter o equilíbrio. Ou seja, quanto maior o crescimento econômico, maior é a alíquota de imposto cobrada pelo governo via emissão de moeda. Poderíamos chamar este imposto de ICE - imposto sobre o crescimento econômico - (Nada a ver com a palavra inglesa, mas que é uma fria, isso é. rs rs rs…) Falando sério, é óbvio que um imposto progressivo sobre o crescimento tende a refreá-lo.

Então, se, em função do aumento do PIB, o governo pode, até certo ponto, aumentar os seus gastos sem causar inflação, de algum lugar esses recursos saem. Se não foi o governo que proporcionou esse aumento do PIB, só pode ter sido a iniciativa privada, o povo. Mas quem se beneficia do aumento da produtividade não é o povo e sim o governo via emissão de moeda. Esses recursos são, desta maneira, extraídos da população através de um imposto progressivo, invisível e imperceptível. Quando há o crescimento econômico, o governo se beneficia de duas maneiras: 1) Por uma maior arrecadação proporcionada pelo próprio crescimento econômico. 2) Pela possibilidade de aumentar os seus gastos - sem causar inflação - para fazer o equilíbrio monetário via emissão de moeda.

Quando o governo aumenta o consumo interno através da emissão de moeda, ou seja, passa a gastar mais do que vinha gastando antes com o intuito de equilibrar o aumento da oferta, está agindo da mesma maneira que a empresa que distribui todo o lucro entre seus empregados, ou seja, não há sobras para o investimento no aumento da produção. Todo o esforço das empresas no sentido de economizar, poupar, acumular, será neutralizado pelo governo ao dissipar recursos parcimoniosamente poupados pelas empresas. No entanto nunca podemos esquecer que a população cresce sem parar, e para que haja progresso, o crescimento econômico deve ser maior que o crescimento populacional, ou seja, para que haja aumento da produtividade, ou ainda, aumento do PIB “per capita”.

Todos os governos já provaram ser perdulários e incompetentes. Todos os dias assistimos um festival de falcatruas, desvios, fraudes de todos os tipos relacionados a falta de controle dos recursos sob administração do governo de forma geral. Observe-se que onde há corrupção, sempre há algum órgão do governo envolvido. O mais recente é o escândalo dos cartões corporativos. No entanto temos um sistema econômico que depende totalmente das manobras monetárias do governo. Certamente esta é a explicação para as baixas taxas de crescimento verificado na maioria dos países.

Todas as empresas têm um sócio perdulário chamado GOVERNO. É por isso que pregamos a diminuição do Estado. Menos Estado significa menos desperdício, mais eficiência e, óbvio, melhores resultados.
A incumbência de regular a quantidade de dinheiro em circulação atribuída ao Estado, aliada a sua vocação perdulária, tem causado, ao longo da História, a falta do crescimento econômico a que todos nós clamamos.

A Terra gira ao redor do sol e não podemos mudar isto. O crescimento econômico depende da acumulação de capital e não podemos mudar isto. Ou, se alguém sabe como aumentar a plantação de feijão sem guardar as sementes, que apresente a solução.

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15.4.08

A MOEDA - PARTE IV

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em  http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

Se tabelam o câmbio valorizando a sua moeda acima do valor que seria determinado pelo mercado, estão estimulando a importação e proporcionando uma concorrência predatória para a indústria nacional e a queima das reservas cambiais. Estão bancando uma insustentável situação de inflação, artificialmente, com as reservas cambiais que foram, pacientemente, acumuladas no decorrer do tempo. Enquanto as reservas vão sendo consumidas com a compra de produtos estrangeiros numa vã tentativa de conter a escalada dos preços, a verdadeira inflação vai aparecendo. Isto significa que o governo argentino, utilizando-se das reservas cambiais, banca por 1,1 pesos a preço internacional e revende a maçã por 1 peso a preço interno numa tentativa de manter estável o preço doméstico. É por isso que a Argentina está, agora, sem reservas internacionais e de chapéu na mão mendigando a ajuda das instituições financeiras internacionais. Veja no que se transformou um país que era comparado aos melhores países da Europa. Esta é a dramática situação da Argentina com a sua economia corroída gradualmente desde o início da era Peron pelo seu intervencionismo distributivista e paternalista cujo golpe final foi desferido pelo seu seguidor Carlos Menen quando estabeleceu durante os últimos anos uma paridade cambial artificial suicida que levou aquele país ao consumo total das reservas internacionais, à decadência econômica, ao empobrecimento da população, ao desemprego em massa e à convulsão social.
Veja quão importante é o cuidado que se deve ter com a moeda de um país. Quanto mais fortes e duradouras forem as políticas econômicas intervencionistas (antiliberais), como no caso do tabelamento do câmbio argentino, mais rápida e eficazmente chega-se a destruição da moeda e da economia de qualquer país.
Se o governo tabela o câmbio valorizando a sua moeda abaixo do valor que seria determinado pelo mercado, está estimulando a exportação em detrimento do consumo interno e aumentando as reservas cambiais.
Nenhuma das duas situações artificiais de controle do câmbio mencionadas (sobrevalorização e subvalorização) é sustentável indeterminadamente. A liberdade cambial é a melhor maneira de se estabelecer relações estáveis no comércio internacional e preservar a economia interna de um país.
As considerações aqui apresentadas sobre o comportamento dos preços internos e sobre as relações internacionais das moedas são meramente técnicas, não sendo considerados os componentes emocionais e de desconfiança política que circunstancialmente existem.
Não obstante o seu dinamismo, o capitalismo por si só não gera oscilações bruscas na economia a ponto de desestabilizar um país. Sempre que a desestabilização ocorre é porque o capitalismo foi substituído por planejadores autoproclamados capazes de fazer melhor do que o livre mercado faria.
Tudo o que foi dito até aqui em relação a moeda, foi levando em consideração o monopólio estatal, que vigora em todos os países do planeta. Porém, nada disso seria necessário caso houvesse uma competição entre emissores privados de moeda. Essa idéia é defendida pelo Prêmio Nobel de Economia Frederick Hayek em seu livro Desestatização do Dinheiro. Com a competição entre moedas privadas conforme prevê em seu trabalho teórico, não haveria sobressaltos na economia, o que possibilitaria um desenvolvimento sustentado, acelerado e sem inflação. É fácil compreender porque os governantes nem cogitam em adotar tal sistema monetário. Isso lhes retiraria grande parte do poder centralizador. No dia em que a maioria do povo compreender que na moeda única reside a possibilidade de manipulação da economia e concentração do poder, então teremos dado um grande passo no sentido de resolver verdadeiramente os grandes problemas sociais como a miséria e má distribuição da renda.

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A MOEDA - PARTE III

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em  http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

Voltando ao exemplo anterior, se a quantidade de produto for aumentada de 100 para 110 unidades, a quantidade de dinheiro deverá ser aumentada também de 100 para 110 unidades de dinheiro o que proporcionará a estabilidade do preço em 1 real, pela divisão da quantidade de dinheiro pela quantidade de produto. Esta é uma relação econômico/matemática das mais elementares. Mas, os governos de vários países, incluindo-se os do Brasil, desde as épocas mais remotas até os dias de hoje, vêm enganando as suas populações. Aumentam a quantidade de dinheiro em circulação financiando o seu excesso de consumo sem o equivalente aumento da quantidade do Produto Interno Bruto (PIB), o que provoca uma alta geral de todos os preços. Fazem isto sorrateiramente, imaginando que ninguém perceberá. Mas o mercado funciona automaticamente quando percebe a alteração da quantidade de dinheiro em circulação, e imediatamente faz a correção, dividindo a quantidade de dinheiro pela quantidade de produtos. E, quando o mercado responde tentando se ajustar a nova quantidade de dinheiro em circulação (inundação monetária), os governantes intervencionistas e fazedores de planos econômicos anticapitalistas, acusam os empresários de sabotadores e inimigos da Pátria. Os verdadeiros inimigos do povo são estes governantes irresponsáveis, ou mal intencionados, que gastam mais do que aquilo que existe para gastar e levam os países a processos inflacionários, dos quais para se livrarem, toda a população paga um alto custo social onde os mais pobres são os maiores prejudicados. Esta é a situação do Brasil neste momento, e da Argentina em situação ainda pior.
Em certas circunstâncias, por paradoxal que possa parecer, é prudente que se ande mais devagar para que se chegue em menos tempo e sem percalços a um objetivo almejado. Esta é a tática dos maratonistas vitoriosos. Para ganhar a corrida eles não podem dar piques como se fossem correr 100 metros rasos. Com a economia de um país acontece o mesmo. Porém os governantes, pressionados pela oposição demagógica em nome da justiça social, e com medo de perder a próxima eleição, imprimem um ritmo de crescimento e de distribuição de benefícios superior a capacidade do País, para logo em seguida perder o fôlego e entrar em desaceleração econômica. É por isso que se verificam períodos alternados de crescimento e decréscimo econômico, provocados pela ânsia muitas vezes até bem intencionada dos governantes em acelerar o desenvolvimento.
Vamos supor agora que, como no exemplo anterior, existam 100 unidades de dinheiro e 100 unidades de produtos, onde o mercado estabeleceria automaticamente, o preço de 1 real, dividindo a quantidade de dinheiro em circulação pela quantidade de produtos existentes. Digamos que o governo resolveu tabelar o preço da unidade de produto em 0,50 unidades de dinheiro (cinqüenta centavos). Então as 100 unidades de produtos existentes serão compradas por apenas 50 unidades de dinheiro (cinqüenta reais) e sobrarão outras 50 unidades de dinheiro (cinqüenta reais) que não terão nenhuma serventia, pois que não há mais produtos a disposição. Haverá dinheiro e não haverá o que comprar. Isto ocorre sempre que o governo tabela e congela preços, pretendendo combater a inflação sobre a qual ele, governo, é o único responsável. Este fenômeno é observado, ao longo da história, sempre que o governo tenta combater a inflação com controles de preços. Nos países socialistas, este fenômeno é constante, porque todos os preços são tabelados e o sistema produtivo não consegue suprir as necessidades da população. As pessoas têm o dinheiro na mão, mas não encontram mercadorias para comprar.
Gostaria ainda de tecer alguns comentários sobre a relação internacional das moedas, ou seja , sobre o câmbio. Utilizando-me ainda do exemplo anterior, se um determinado país possui 100 unidades de produtos e 100 unidades de dinheiro, ou seja, um PIB de 100 e uma base monetária de 100, temos uma relação de 1/1. Se outro país possui um PIB de 1000 e uma base monetária de 1000, também temos uma relação de 1/1. Se esses dois países forem, por exemplo, respectivamente, Argentina e Brasil, uma maçã na Argentina terá o preço de 1 peso e no Brasil de 1 real. Neste caso o mercado estabelece uma paridade cambial automática entre as moedas desses dois países: 1 peso é igual a 1 real que é igual a 1 maçã.. Se no decorrer do tempo houver evoluções desiguais na relação moeda/produto desses países, ou seja, se em um deles houver inflação maior do que no outro, a paridade deixará de existir. Se na Argentina houver um aumento da base monetária de 100 para 110, permanecendo o PIB em 100 e no Brasil mantendo-se os mesmos valores, a paridade cambial deixará de existir. Nesta nova situação, na Argentina serão necessários 1,1 pesos para se comprar 1 maçã, enquanto que no Brasil será necessário apenas 1 real, donde se conclui que 1 real eqüivale a 1,1 pesos que eqüivale a 1 maçã. Quando, nestes casos, os países não permitem a livre flutuação do câmbio para se ajustar a nova situação, causam distorções nas relações internacionais de preço.

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A MOEDA - PARTE II

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

 
Farei mais três simulações, alterando as quantidades de produto e as quantidades de dinheiro em circulação, visando demonstrar a diferença entre inflação e alta de preços:
1) Se a quantidade de dinheiro for diminuída em 10%, e mantida a quantidade de produto, teremos 90 unidades de dinheiro para 100 unidades de produto. 90 reais divididos por 100 produtos é igual a 0,90. Cada unidade de produto custa, então, noventa centavos. Tivemos uma correção de preço para baixo devido a uma deflação de 10%.
2) Se houver uma diminuição na quantidade do produto para 90 unidades, e for mantida a quantidade de dinheiro em circulação em 100 unidades de dinheiro, teremos 100 reais divididos por 90 unidades de produto, que é igual a 1,11. Tivemos uma alta de preços de 11%, pela diminuição do produto, sem que tenha havido inflação.
3) Se houver um aumento na quantidade de produto em 10%, sem que haja alteração na quantidade de dinheiro em circulação, teremos 100 reais divididos por 110 produtos que é igual a 0,90. Cada unidade de produto custa então, noventa centavos. Tivemos uma baixa do preço em 10%, pelo aumento da quantidade de produto, sem que tenha havido deflação.
Estas considerações são válidas para um mercado que esteja funcionando livremente, sem a interferência do governo no que se refere a preço. É obvio também, que na realidade o sistema não é tão simplificado como apresentado nas simulações, porém o princípio de funcionamento está totalmente correto.
Diante do exposto, podemos concluir que os preços nominais de mercado dependem da quantidade de dinheiro em circulação e da quantidade de produtos em oferta. Portanto, os preços podem variar por duas razões: 1ª- Quando os preços oscilam em função da variação da quantidade de produtos ou variação do consumo é alta ou baixa dos preços. 2ª- Quando os preços oscilam em função da variação da quantidade de dinheiro em circulação é inflação ou deflação. Por isso, quando há uma alta de todos os preços dentro do país, e se sabe que praticamente não houve variação do PIB, é sinal de que o governo está fabricando dinheiro para gastar, está aumentando a quantidade de dinheiro em circulação sem o correspondente aumento da produção. Portanto, nos processos inflacionários, é ignorância técnica das pessoas e das entidades acusar os empresários e o “neoliberalismo” ou a quem quer que seja de responsáveis pela inflação. Em qualquer país o governo é o responsável pela inflação, pois detém o monopólio da fabricação de dinheiro. E, aos defensores da teoria da inflação inercial nada tenho a opor, apenas acrescento que da mesma maneira o governo é quem causa o desequilíbrio inicial, vencendo a inércia da estabilidade e dando a partida aos processos inflacionários.
Pode-se visualizar nesse quadro que a situação ideal para o trabalhador (consumidor) é haver aumento na oferta do produto (aumento do PIB), e escassez na oferta de mão-de-obra.(diminuição do desemprego). A combinação desses dois fatores que são fomentados pela acumulação de capital, fará o preço dos produtos baixarem e o preço dos salários subirem, natural e gradativamente. E, é dessa maneira inteligente e pacífica que o capitalismo/liberalismo promove uma melhor distribuição de renda, sem luta de classes, sem greves, sem destruição de patrimônios, sem vítimas e sem consumo de energia humana desnecessário, infrutífero e antiproducente.
Em todos os países existentes sobre a face da terra, dos mais socialistas aos mais capitalistas, os seus governos possuem o monopólio da fabricação de dinheiro. Dessa maneira, o governo é quem é o responsável e quem deve zelar pela manutenção do valor da moeda do país. Como é que o governo evita a desvalorização da moeda? Evitando aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. E como é que o governo evita o aumento da quantidade de dinheiro em circulação? Mantendo as suas contas equilibradas, isto é, não gastando mais do que arrecada. O governo só pode aumentar a quantidade de dinheiro em circulação quando primeiro for aumentada a quantidade do produto.
Não é de admirar que a maioria da população não instruída desconheça a relação existente entre o aumento da quantidade de dinheiro em circulação e a inflação. (A emissão é a inflação em si mesma e a subida dos preços a conseqüência). O que não se pode admitir é que certas pessoas influentes e formadoras de opinião, principalmente economistas pós graduados, depois de passarem vários anos esfregando os traseiros nos bancos das universidades, não compreendam essa relação elementar. É de causar indignação quando se assiste aos repórteres, comentaristas e colunistas das maiores redes de comunicação do País, todos com formação superior, fazerem escola ao acusarem o chuchu ou o tomate de vilões da inflação do mês.
Imagine se só você pudesse fabricar dinheiro e fosse proibido o aumento dos preços! Você compraria o país inteiro. Agora imagine você, se os particulares não se defendessem do governo reajustando os preços dos seus produtos quando o governo emite dinheiro (fabrica papel pintado) acima do aumento do PIB, de maneira continuada. Ocorreria a transferência de todo o patrimônio particular para a posse do governo. Seria a intervenção total, ou seja, uma completa estatização, ou ainda, o socialismo econômico real.
Quando o governo congela preços e emiti dinheiro sem lastro, causa uma total desorganização na economia de mercado, levando a iniciativa privada à uma situação muito difícil. Aí então, o governo, apoiado pela elite burra ou mal intencionada (não se sabe) e pela população ignorante – como já aconteceu neste País em outras oportunidades (é possível que ocorra novamente) - poderá dizer aos empresários em má situação: infelizmente, a iniciativa privada não é competente o bastante visto que está falindo, nem socialmente justa pois está demitindo seus empregados. A única saída é estatizar estas empresas. Possivelmente os socialistas/comunistas irão se utilizar deste artifício, caso vençam as próximas eleições presidenciais, para promover a estatização.
O FMI há muito tempo vem tentando conscientizar os governantes dos países aos quais socorre, da necessidade do rigoroso equilíbrio das contas públicas desses países. Contas públicas equilibradas criam um clima favorável ao desenvolvimento, e impedem o avanço da intervenção econômica na iniciativa privada, isto é, impedem o avanço do socialismo. É por este motivo que os socialistas/comunistas odeiam o FMI.
Até poucos dias atrás as prefeituras e os governos estaduais debitavam o seu excesso de consumo por conta de empréstimos contraídos junto ao governo federal – operador da máquina de fabricar dinheiro - e que nunca eram saldados. Só se ouvia falar da rolagem e aumento dessas dívidas. Agora, com a Lei da Responsabilidade Fiscal, a farra acabou. Este é um indício de que o Brasil caminha para o equilíbrio fiscal e no rumo certo para a conquista e a manutenção de uma moeda forte e respeitada, um dos pré-requisitos para o desenvolvimento.

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14.4.08

A MOEDA - PARTE I

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em  http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

Analisando de um ângulo diferente do costumeiro, vamos tentar entender porque os governos de vários países acabam interferindo nas suas economias, principalmente no que tange a preços. Os governos têm suas receitas através dos impostos arrecadados da população. O dinheiro arrecadado em impostos é gasto, teoricamente, em benefício da população. Mas, como está demonstrado historicamente, os governos em geral são maus administradores, e, muitas vezes em nome da demagogia da justiça social, acabam gastando mais do que arrecadam, e se valem, então, da máquina de fabricar dinheiro para pagar o seu excesso de consumo. Há alguns estados da federação que chegam a gastar mais de 85% do que arrecadam, com a folha de pagamento, com a máquina administrativa. Isto equivale ao mesmo que um caminhão tanque, ao transportar 30 mil litros de combustível, de São Paulo ao Rio grande do Sul, o seu motor, a sua máquina, consuma 25,5 mil litros durante o trajeto e só entregue 4,5 mil litros no destino. Convenhamos, isto é o cúmulo da ineficiência.
O governo, em todos os níveis, num país como o Brasil, é um grande consumidor de todos os tipos de produtos. Consome desde açúcar e café para os seus funcionários, até veículos de todos os tipos e tamanhos. Mas, além de ser um grande consumidor onipresente a ponto de influenciar natural e substancialmente no sistema de preços, o governo é também, o único consumidor que pode fabricar dinheiro para gastar, e concorrer de modo desleal com os outros consumidores, ou seja, com a população em geral que ganha o seu dinheiro com o suor do rosto. Quando o governo toma estas atitudes desastradas e inconseqüentes, o resultado é o que chamamos de inflação, com a inevitável alta geral de todos os preços. A definição de inflação, que se encontra em um bom dicionário é a seguinte: grande emissão de papel-moeda, em geral sem a garantia de lastro necessário a circulação fiduciária, ocasionando a sua desvalorização.
Carrego uma dúvida comigo sobre a interpretação que os socialistas/comunistas têm sobre a inflação. Não sei se eles compreendem como o sistema funciona ou se realmente acreditam que os culpados pela inflação sejam os empresários, como sempre afirmam. Se for a primeira hipótese, são hipócritas. Se for a segunda, são ignorantes. Vou tentar explanar agora, da maneira mais simplificada possível, o funcionamento do sistema monetário de um país.
Antes da invenção do dinheiro tal como o conhecemos hoje, muitas outras mercadorias foram utilizadas para se proporcionar as trocas de produtos. Para estabelecer parâmetros referenciais havia a necessidade de eleger um produto que pudesse ter uma relação comum o mais estável possível com todas as outras mercadorias existentes. O sal foi utilizado assim como o ouro. Isto foi sendo aperfeiçoado até chegarmos ao atual Sistema Monetário, no qual é utilizado o papel- moeda para se efetuar as trocas de todos os produtos. O dinheiro, portanto, é uma anônima invenção humana gradualmente aprimorada. E o dinheiro é, também, uma convenção. Dito isto, concluímos que o dinheiro é um instrumento útil e necessário para promover e facilitar as trocas de produtos entre as pessoas e entre as empresas, quer dizer, entre os agentes econômicos. Quero afirmar ainda, que a economia pode funcionar com qualquer quantidade de dinheiro, conforme será demonstrado, mas que uma vez estabelecida, a quantidade não pode ser alterada, a não ser em função da alteração do PIB (Produto Interno Bruto). O PIB do país é constituído de milhares de itens e das mais variadas quantidades e valores, mas vamos, a título de exemplificação, supor que existam somente 100 unidades iguais de produtos, e queremos estabelecer a quantidade de dinheiro que será colocado em circulação, para facilitar as trocas (as operações de compra e venda). Podemos arbitrar a quantidade em 100 unidades de dinheiro (100 reais). Para que não sobre nem dinheiro nem produtos, o mercado se encarregará, automaticamente, de estabelecer que cada unidade de produto custará uma unidade de dinheiro (1 real), pela divisão da quantidade total de dinheiro em circulação pela quantidade total de produtos existentes dentro do país – 100 reais divididos por 100 produtos é igual a 1 real – 1 produto vale 1 real. Se tivéssemos arbitrado a quantidade de dinheiro em 200 unidades, cada unidade de produto seria ajustado, automaticamente pelo mercado, em 2 reais, pela divisão de 200 reais por 100 produtos. No nosso exemplo, para facilitar a análise, vamos continuar com 100 reais. Enquanto o produto permanecer em 100 unidades, e a quantidade de dinheiro também permanecer em 100 unidades, de acordo com as leis de mercado o preço de cada unidade de produto não se alterará, e continuará custando 1 real, eternamente. A lei de mercado mantém este equilíbrio. Quando se fala em lei de mercado, não estamos falando de uma lei ditada por alguém todo poderoso que tudo pode controlar, ou votada em um parlamento, mas sim de um processo interativo espontâneo e natural da convivência humana onde cada qual busca o seu interesse individual.
Agora, observemos o que acontece quando a quantidade de dinheiro é alterada, sem que haja também, alteração na quantidade do produto. Suponhamos que a quantidade de dinheiro seja aumentada em 10%. Passaremos, agora, a ter 110 unidades de dinheiro (110 reais), e as mesmas 100 unidades de produto. Para que o mercado mantenha o equilíbrio automático entre dinheiro em circulação e produtos a disposição, pela divisão da quantidade de dinheiro pela quantidade de produtos, temos 110 unidades de dinheiro (110 reais) divididos por 100 unidades de produtos, que é igual a 1,10. Cada unidade de produto, agora, custa 1 real e dez centavos. Houve uma correção de preço devido a uma inflação de 10%. Ou também pode-se dizer que houve uma desvalorização da moeda devido a uma inflação de 10%. Quem colocou estes 10% a mais de dinheiro em circulação? As pessoas particulares não foram, nem as empresas. Se alguém fabricar dinheiro vai preso como falsário. Foi alguém que detém a autorização para a fabricação de dinheiro. Nenhuma entidade particular possui este direito. Somente o governo pode fabricar dinheiro. De que maneira o governo introduz esta quantidade a mais de dinheiro no mercado? Gastando de várias maneiras, pois como foi dito antes, o governo é um consumidor onipresente de todos os tipos de produtos.

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18.12.07

ESTA É MUITO BOA

• Dias atrás recebi um e-mail bem interessante. Antes esclareço que não sou de direita. Acho que a direita representa militares, Aureliano Chaves, Sarney, Itamar Franco, José de Alencar, e por aí vai… Sou um liberal. No e-mail, “direita” poderia ser substituída por “liberalismo”, porém vou reproduzi-lo originalmente, para preservar o direito do seu autor, embora não citado.
É o e-mail:

 

ESTA É MUITO BOA! TENHAM UM ÓTIMO DIA!

BEM-VINDA À DIREITA!

Uma universitária cursava o sexto semestre da Faculdade. Como é comum no meio universitário, pensava que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza.

Tinha vergonha de que o seu pai fosse de direita e, portanto, contrário aos programas socialistas e seus projetos de lei que davam benefícios  aos que não mereciam e impostos mais altos para os que tinham maiores ingressos de dinheiro. A maioria dos seus professores tinha afirmado que a filosofia dele era equivocada.

Por tudo isso, um dia, decidiu enfrentar o pai.

Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar que ele estava errado ao defender um sistema tão injusto como o da direita.

No meio da conversa seu pai perguntou:

- Como vão as aulas?

- Vão bem, respondeu ela. A média das minhas notas é 9, mas me custa muito trabalho consegui-las. Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.

O pai prosseguiu:

- E a tua amiga Sonia, como vai?

Ela respondeu com muita segurança:

- Muito mal. A sua média é 3, principalmente porque passa os dias em shoppings e em festas. Pouco estuda e algumas vezes nem sequer vai às aulas. Com certeza, repetirá o semestre.

O pai, olhando nos olhos da filha, aconselhou:

- Que tal se você sugerisse aos professores ou ao coordenador do curso para que sejam transferidos 3 pontos das suas notas para as da Sonia. Com isso, vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você, mas convenhamos, seria uma boa e democrática distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.

 

Ela indignada retrucou:

- Por quê?! Eu trabalhei muito para conseguir as notas que tive, enquanto a Sonia buscava o lado fácil da vida. Não acho justo que todo o trabalho que tive seja, simplesmente, dado a outra pessoa.

Seu pai, então, a abraçou, carinhosamente, dizendo:

- BEM-VINDA À DIREITA!!!!

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22.10.07

SÓ EDUCAÇÃO NÃO BASTA

É preciso ter coragem para discordar daqueles que defendem a panacéia da educação. Mas, a finalidade deste espaço é o debate. E debate envolve discordância. O problema educacional é apontado por todos como sendo o responsável pela precária situação econômica do nosso País. Quando discutimos educação estamos tentando encontrar caminhos que possam melhorar a situação econômica - os baixos salários e o desemprego - de uma grande parcela do povo brasileiro. Porque a finalidade da educação é econômica, é a melhoria do padrão de vida.
Vou contar uma história verídica a qual acompanhei o seu desenrolar. Eu morava no Paraná e trabalhava em uma empresa estatal cheia de engenheiros e técnicos que trabalhavam muito pouco e percebiam altos salários, principalmente os 80% dos funcionários que batiam o ponto no escritório central da empresa no Rio de Janeiro. Posso garantir que nas localizações de atuação da empresa, ou seja, nas usinas e subestações que é onde atua o funcionário produtivo - o operário - havia 4 vezes mais funcionários que o necessário. Pelo meu levantamento havia aproximadamente dois mil funcionários nas localizações de atuação e oito mil no escritório central, perfazendo um total de dez mil. Entendo que de quinhentos a mil funcionários no escritório central já seria um exagero, tendo em vista que nenhum projeto e nenhuma obra eram executados pelos funcionários, mas por empreiteiras. Numa empresa onde mil e quinhentos funcionários seriam mais do que suficientes, havia 10 mil. Milhares de EMPREGOS IRREAIS. Agora multiplique esse desperdício de mão-de-obra por todas as empresas estatais e por todos os órgãos públicos em todos os níveis de governo.
Enquanto isso, o Baiano, com uma pequena barraca numa dessas feiras de produtores rurais, vendia hortifrutigranjeiros. A feira acontecia uma vez por semana, sempre às quintas-feiras. Começou com poucos itens, imagino que por falta de capital, mas o Baiano era um ótimo vendedor, e algum tempo depois, sua barraca era uma das mais sortidas e movimentadas da feira. O Baiano cativava a simpatia da freguesia com o seu jeito alegre e brincalhão. Passado mais algum tempo ele alugou uma pequena sala onde podia vender os seus produtos todos os dias da semana. Quando alguém pagava a conta com cheque, o Baiano mostrava toda a sua criatividade. Como era analfabeto, e não tinha como saber se o valor estava correto, sutil e sorrateiramente, se socorria em alguém que estivesse por perto, pedindo: leia aqui para min, estou sem os meus óculos. As notas de dinheiro ele conhecia pela cor, e eu como seu freguês habitual nunca presenciei algum erro seu na hora de fazer o troco. E o Baiano seguia em frente. Alugou mais duas salas contíguas a sua para a ampliação do negócio. Antes trabalhava só com a sua família, mas nesta etapa do negócio teve de contratar mais funcionários. O Baiano começou a gerar EMPREGOS REAIS para além da sua família. Depois de mais algum tempo, em uma esquina próxima da sua fruteira, começou a ser erigido um prédio. Em pouco tempo via-se que era um prédio de dois andares. Um dia cheguei à fruteira e perguntei ao Baiano: Quem está construindo aquele prédio ali? E o Baiano me respondeu com um largo sorriso: ali será a sede própria da fruteira do Baiano, e em cima será a minha casa. Alguns meses mais e o Baiano inaugurava a sua nova fruteira muito bem organizada. Era a maior e mais linda fruteira da cidade. Dei os parabéns ao Baiano que não cabia em si de orgulho e felicidade. O Baiano era um grande EMPREENDEDOR ANALFABETO. Eu disse que era, porque infelizmente o Baiano morreu afogado numa praia do Paraná. Ele era um baiano que não conhecia o mar. Tirou uns dias de folga e foi à praia veranear. Estava tomando banho de mar quando o seu relógio caiu do pulso, ao tentar encontra-lo não percebeu uma onda que o derrubou e ele acabou morrendo afogado.
Qual a moral dessa história? A moral é a seguinte: para que o povo de um país tenha um mínimo de dignidade – leia-se: alimentação, vestuário, saúde e teto, tudo simples - não basta educação. É preciso dar valor aos empreendedores. Incentiva-los a ter lucro e reinvestir esse lucro no seu negócio. Precisamos mudar a nossa mentalidade. Precisamos entender que ter lucro não é imoral, mas necessário para fazer a economia crescer. O dono de empresa que esbanja o seu lucro, ou não o obtém, nunca terá sucesso. Quando vemos um empresário bem sucedido, é sinal de que ele cuida e aplica bem os seus resultados, e se caracteriza em uma pessoa frugal. Não precisou ninguém ensinar isso ao Baiano. Ele era um empreendedor nato.
Estou dizendo isto porque virou lugar comum o panacéico discurso de que a única solução para o nosso País é investir pesado em educação. E que só a educação vai resolver todos os nossos problemas. Temos que ter cuidado com isso para não frustrar a expectativa das pessoas. Aqueles que, hoje, vendem essa idéia são os mesmos que, há mais de 20 anos, vendiam a idéia de que só uma nova constituição poderia resolver todos os problemas brasileiros. A nova constituição foi promulgada em 1988 e até agora não percebemos melhora alguma, ou até piorou, tendo em vista que a renda per capita tem diminuído nos últimos anos. Pois, afirmo com convicção, que se apostarmos somente na educação, sem uma desregulamentação do mercado, sem uma diminuição do Estado e sem uma redução de impostos, isto é, sem a implantação do livre mercado, segundo os princípios do Liberalismo Clássico, seremos um País de decepcionados DOUTORES MISERÁVEIS, tal como ocorre em Cuba, onde um médico percebe a humilhante quantia de 30 dólares por mês.
Realmente temos que investir em educação, mas também temos que criar MERCADOS REAIS para esses profissionais. E esse é o trabalho dos empreendedores.
Não adianta gastar bilhões com as escolas e universidades públicas formando profissionais maravilhosos, para depois essa mão-de-obra qualificada ser desperdiçada na ociosidade de um monopólio estatal, ou numa repartição pública abarrotada de paletós onde o empreguismo e o vício politiqueiro campeiam despudoradamente.

criado por frypl    20:54 — Arquivado em: Sem categoria

20.9.07

MAIS EMPREGOS

 As causas do desemprego no Brasil são diversas, mas uma em especial, vivenciei bem de perto. Em meados da década de 90 eu tinha uma fábrica de móveis sob medida e guarda-sóis de madeira para piscinas. O Tonico era um marceneiro dedicado e com muito esforço, conseguiu economizar uma quantia em dinheiro e com um pouco mais arranjado emprestado, montou uma fábrica dessas cadeiras torneadas. Para a minha fabricação do guarda-sol faltava a máquina de fazer o mastro do guarda-sol, e o Tonico tinha essa máquina. Eu conhecia o Tonico, mas nunca tinha visitado o seu estabelecimento. Certo dia, fui até a sua marcenaria para acertar o trabalho que seria executado pela sua tarugadeira. Chegando lá encontrei um galpão grande, cheio de máquinas dispostas uma ao lado da outra numa seqüência lógica, como deveria ser para a fabricação das cadeiras. Mas uma coisa me chamou a atenção: surpreendentemente, só o Tonico estava trabalhando. Trabalhava um pouco numa máquina, um pouco na outra, até aprontar todas as peças que seriam usadas para a montagem das cadeiras. Maior foi a minha surpresa quando vi sua escrivaninha cheia de pedidos de cadeiras. Intrigado, perguntei por que não havia mais gente trabalhando, já que ele tinha maquinário, matéria prima e pedidos de compra. A resposta: eu tinha alguns empregados, mas dois deles “me botaram na justiça” e levaram tudo o que eu tinha conseguido em anos de trabalho, e mais um pouco. Quase fui à falência. Por isso, agora, trabalho sozinho, produzo menos, mas não corro o risco de ser surrupiado.
Adverti:
- Por que você não registrou aqueles empregados?
- Todos eles estavam devidamente registrados e com os encargos sociais em dia, respondeu ele.
- Como conseguiram ganhar o processo?
- Testemunhas falsas, horas extras, dupla função e não sei o que mais. Você sabe como é essa coisa de justiça, não é? O empregado sempre tem razão.
Pois é. De juízes adeptos do preconceito marxista, de que os empregados sempre são explorados pelos patrões, o Brasil está cheio. Com os legisladores ocorre o mesmo. Essa proteção excessiva de inspiração marxista acaba prejudicando os próprios trabalhadores e a sociedade como um todo.
Quantos Tonicos amedrontados e quantas máquinas desocupadas devem existir neste nosso imenso País por conta dessa mentalidade anti-patrão promovida pelos defensores da luta de classes?
Precisamos compreender que o patrão também é trabalhador. Ele é o trabalhador que administra e dirige o negócio, e por sinal, sabemos que ele muitas vezes trabalha mais horas do que os outros. Com a experiência adquirida e o passar do tempo, alguns empregados também montam seus próprios negócios e geram empregos para os menos experientes. É assim que surgem os pólos industriais. E é assim que a economia cresce e cria novas oportunidades de trabalho para as novas gerações. Mas, urge a mudança da nossa mentalidade legislativa e judiciária para criar a cultura de uma cooperação social e econômica tranqüila entre patrões e empregados. Pode ter certeza que todos sairão ganhando.

criado por frypl    18:09 — Arquivado em: Sem categoria

14.8.07

OS CUBANOS

Quando pessoas da elite de um país socialista, atletas de alto nível, privilegiados em relação ao restante da população, fogem e pedem asilo em países livres, é que se percebe o quanto de importância tem a liberdade para o ser humano. Essas pessoas abandonam a pátria e a família, e se arriscam em busca da liberdade real.
Elas não fogem de muros imaginários construídos por sonhadores que não conseguem , ou não querem enxergar as verdadeiras prisões em que se transformaram os países totalitários baseados no sistema socialista. Se pessoas privilegiadas fogem, imagine o quanto deve sofrer o restante da população que não tem a mínima chance de escapar. Pois, a liberdade real é pressuposto fundamental para a felicidade humana. Por isso, por não privilegiar a liberdade, o socialismo e o comunismo são muito desumanos.
Se você nutre alguma simpatia pelo regime cubano, cabe lhe fazer algumas indagações: Você gosta que alguém escolha os seus sapatos, a sua camisa, a sua calça e até mesmo a sua roupa íntima? Você aprova a necessidade de uma autoridade ter de dar permissão para que você possa fazer uma viagem dentro do seu próprio país? Você permite que alguém defina qual profissão deve seguir, onde deve morar e que alimentos deve comer? Você prefere que alguém indique quais livros deve ler, quais filmes deve assistir, qual jornal deve ler? Você aceita que alguém determine quantos rolos de papel higiênico pode gastar por mês? Você não se importa que o proíbam de acessar a INTERNET, de visitar outros países e ainda lhe imponham em qual partido ou candidato votar?
Se você não se importa que outrem decida, nos mínimos detalhes, a sua vida em seu lugar, então você prefere, realmente, um sistema como o de Fidel Castro.
Se você, com sinceridade, aceitasse toda essa ingerência, isto indicaria uma falta de personalidade e de autoconfiança. Assim, você estaria outorgando a sua própria escravização. E eu teria pena de você.
Quando questionamos a falta de liberdade em Cuba, sempre há quem argumente sobre os índices de mortalidade infantil, que realmente são muito baixos naquele país, e sobre os parâmetros nutricionais. Essas coisas são muito importantes e é desejável que as tenhamos, mas a que preço? Em troca da liberdade? Cabe a cada um refletir. É como diz aquela música dos Titãs “não queremos só comida, queremos comida diversão e arte”. Nós queremos muito mais, mas sem liberdade não conseguiremos. A liberdade concedida aos cubanos é mais ou menos como prender um pássaro na gaiola, dar-lhe água e comida, e então dizer: esta ave tem onde se empoleirar, tem o que beber e comer, o governo providenciou tudo, porque ela não tem capacidade para sobreviver por conta própria. Portanto, esse passarinho vive LIVRE E FELIZ DENTRO DESSA GAIOLA, porque o seu dono assim deseja. Mas a felicidade de um ser humano - diferentemente de um cão acorrentado que abana o rabo para o seu dono ao receber um cocho de ração – está menos no que come ou possui e mais na sua liberdade no sentido real, em sonhar e realizar no lugar que escolher e da maneira que bem entender.
Os atletas cubanos – canários belgas* - depois de fugirem da gaiola, não souberam o que fazer com a liberdade. Estavam desacostumados. Preferiram retornar ao cativeiro. O próprio Fidel já os julgou, condenou-os, e executará a pena: nunca mais poderão exercer a profissão de atletas. Se eles se comportarem direito e tiverem sorte talvez se livrem do paredón, e terminem os seus dias não com as luvas de boxe, mas com um facão nas mãos em algum canavial cubano.

* Essa espécie de pássaros só sobrevive em cativeiro.

criado por frypl    12:43 — Arquivado em: Sem categoria

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