10.5.09
FABRICANDO A FUTURA CRISE
Os que estão no poder, hoje, mesmo que sejam da esquerda, ainda não acenam com a possibilidade de se estabelecer um controle total de preços. Não porque não tenham vontade, muito menos por convicção. É que o País atingiu certo grau de estabilidade de preços graças a ajustes efetuados pelos governos anteriores e que teve continuação no próprio governo Lula, apesar de ele ter pregado o contrário disso durante os seus 20 anos de campanha para presidente.
As políticas populistas estão sendo implementadas cada vez com mais intensidade. O País está sendo empurrado a gastar mais do que pode numa tentativa de acelerar o crescimento. Já não bastava o PAC, agora o governo lança, num momento estratégico eleitoral, o “minha casa, minha vida”, (minha eleição). Para a análise de crédito feita pela Caixa Federal a exigência é de documentos pessoais e comprovação de renda “formal ou informal”, - está na cartilha - ou seja, há um afrouxamento na análise de crédito induzida pelo governo. Concomitantemente há notícias de que os preços dos imóveis estão subindo mais do que a inflação, ou seja, está se criando uma bolha no mercado de imóveis. Este programa, guardadas as proporções, lembra bem a política habitacional que ajudou a aprofundar a crise norte americana. Vamos trilhar o mesmo caminho? A lição não serviu para nada?
As taxas de juros praticadas pelo Banco Central – até agora controladas com bastante perícia por Meirelles e cia, diga-se de passagem, e ainda assim tão criticadas pela militância esquerdista nacional - é que manteve a estabilidade econômica do nosso País e agora proporciona uma travessia da crise não tão traumática como em outros países. Não que este controle de preço do dinheiro tenha a aprovação sob um ponto de vista liberal. Mas é o sistema vigente, e enquanto não for mudado deve ser tocado com responsabilidade.
Mas bastará alguma instabilidade nos preços e não faltará quem grite pedindo mais controle do governo. E se fizéssemos uma pesquisa popular descobriríamos que a maioria é a favor do tabelamento de preços. A nossa história recente (1986) nos brindou com a mais estapafúrdia aventura econômica já vivida no nosso País: o “plano cruzado – o plano da inflação zero”. Foi um plano que tabelou e congelou os preços de todos os produtos e serviços. Gerentes de lojas e de hotéis, donos de supermercados e empresários em geral foram transformados em criminosos e eram presos por vender produtos a preços fora do tabelamento do governo. Os bois eram caçados no pasto pela Polícia Federal sendo arrancados a força dos seus proprietários. E tudo isso com a aprovação da grande maioria dos “especialistas”, da mídia e da população. Logo em seguida ficou provado que controles de preços além de não funcionarem, causam desordem na economia e escassez de produtos, porque o governo sempre tabela abaixo do preço que seria praticado pelo mercado.
Agora o ponto onde eu queria chegar. Todo o produto tabelado abaixo do preço de mercado se torna escasso, porque há, por um lado um desestímulo a sua oferta, e por outro, um incentivo ao seu consumo, situação que proporciona uma dessincronia entre oferta e demanda. Com o dinheiro ocorre a mesma coisa. E o dinheiro é o produto mais importante em uma economia de mercado porque ele se relaciona com todas as outras mercadorias. Ele é a mercadoria comum a todas as outras mercadorias. Ele é o meio de troca. Por isso o seu tabelamento, ou seja, o tabelamento da taxa de juros causará distorções nos investimentos, principalmente se for com viés populista. Investimentos mal feitos não dão o devido retorno. Se não há retorno, a empresa quebra. Se a empresa quebra há desemprego. Se há muitas empresas quebrando há recessão e muito desemprego. É o círculo vicioso negativo. E isso ninguém quer, mas todos pedem, ingenuamente, talvez por influência dos “especialistas” e/ou por ignorância, que se reduzam drasticamente a taxa de juros. Juros baixos são desejáveis, mas a redução artificial dessa taxa é medida populista, e o populismo levou muitos países à bancarrota. É aí que mora o perigo. Receitas populistas num país de maioria semi-analfabeta é o caminho certo para crises futuras e atraso econômico.
Se quiserem mesmo diminuir a taxa de juros, o governo que pare de pedir emprestado, diminua a sua dívida e assim sobrará mais dinheiro para a iniciativa privada, com taxas de juros menores. O resto é artificialismo universalista.
criado por frypl
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