É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI

DISCUSSÃO SOBRE AS POLÍTICAS ECONÔMICAS

25.12.08

EM DEFESA DO LIVRE MERCADO

Nestes tempos de turbulência, poucas vozes se levantam contra essa quase unanimidade na imputação da culpa ao livre mercado pela atual crise. Sinto que há a necessidade de mais contraditórios e acredito que com isso muita gente poderá mudar de idéia. Foi preciso muita coragem e convicção para escrever este artigo, diante das manifestações pró-intervenção de nomes de peso da área econômica e da gritaria da grande maioria dos defensores do anti-mercado.

Quando vai ao supermercado e compra um iogurte, você está interagindo no mercado, ou seja, no sistema de preços e produção. Você está mandando um recado aos empresários, dizendo para que mantenham ou aumentem o capital investido na produção do seu iogurte preferido. Se não concorda com isso e foi um eleitor do Lula, então você, de modo semelhante, acha que o seu voto não teve nenhuma importância para a eleição do Presidente da República. Então talvez você pense: - se eu não comprar o iogurte não haverá alteração nenhuma na sua produção. E se eu não tivesse votado no Lula ele seria igualmente eleito.

Mas, e se a grande maioria pensar como você? A fábrica de iogurte fecha e o Lula não teria sido eleito, correto? Os fabricantes de iogurte e de todos os outros tipos de mercadorias existentes travam uma luta diária para conquistar e manter a sua preferência, assim como o Lula lutou para conquistar o seu voto. A diferença é que os empreendedores precisam da aprovação diária para os seus produtos, enquanto que os políticos têm um período de alguns anos de pré-aprovação. Se o empresário não atender as expectativas dos consumidores, será banido imediatamente da sua atividade. O mercado é ágil. Já a substituição dos políticos e suas políticas desenvolvimentistas, levarão alguns anos. Muitas vezes o autor de determinada lei já morreu, mas ela continua lá fazendo estragos por longos anos até que, talvez um dia, seja revogada.

Traço este paralelo entre o consumidor e o eleitor somente para demonstrar a importância de um único consumidor e de um único eleitor nos processos econômicos e eleitorais, respectivamente. Quando o consumidor é ignorado nesta consulta para a orientação da produção, ou seja, quando os políticos e os tecnocratas são quem determinam quais as áreas econômicas que devem ser desenvolvidas, acabam sendo produzidas algumas coisas em excesso e outras deixam de ser fabricadas. Essas desorganizações das produções, dependendo do volume e da persistência com que ocorrem, causam distorções no sistema de mercado podendo chegar a graves crises econômicas como a que está ocorrendo nos EUA. Quando os recursos são aplicados de maneira equivocada, chega um momento em que é preciso parar e corrigir o rumo. Essa reorientação sempre é acompanhada de uma recessão, quer queiram quer não. Este é o caso quando os governos e seus tecnocratas ignoram as possibilidades do mercado, os desejos e as ordens dadas pelos consumidores.

Quando um empresário falha na identificação das ordens dos consumidores, apenas a sua empresa e os seus empregados pagam a conta do fracasso. Mas quando um governo, ao tentar substituir as leis de mercado por operadores tecnocratas, erra o caminho, todos os ramos de atividade são prejudicados. As falhas de mercado, ou dos agentes do mercado, são menores, isoladas e se resolvem caso a caso. Quando uma empresa desaparece, os seus clientes passam a ser atendidos pelas sobreviventes do mesmo ramo, fortalecendo-as. Já as falhas de governos são grandiosas, contaminam toda a economia, há lentidão na identificação do erro cometido e na sua resolução.

Os homens públicos adoram passar para a História sendo lembrados como os grandes desenvolvedores de uma área econômica específica. Politicamente é uma jogada genial, para a economia e para o povo é uma desgraça. Juscelino foi o homem da indústria automobilística. Seu slogan era: governar á abrir estradas. Lula se diz o presidente da auto-suficiência do petróleo, Brizola é lembrado como o homem da educação. Até os do norte prometeram uma casa para cada americano. Não que todas estas coisas não sejam importantes, antes pelo contrário. Mas os consumidores são quem, em última instância, devem definir onde será aplicado o capital disponível - como numa espécie de orçamento participativo automático, diário, dinâmico, espontâneo, ininterrupto, inconsciente, justo e natural – caso contrário sempre haverá problemas econômicos e as recorrentes crises. Vejo o livre mercado como sendo a própria democracia direta, porém com a grande vantagem de eliminar o atravessador político, ou seja, o livre mercado é a democracia diretíssima.

Um sistema de tamanha complexidade, como é o sistema de mercado, que funciona automaticamente de acordo com o interesse e a ação de cada indivíduo integrante da sociedade, jamais será vilipendiado por pessoas que se acham mais capazes de ditar os rumos da economia em lugar da opinião de milhões de consumidores, sem sofrer as inevitáveis conseqüências. O pensamento e a ação contrários a isso contêm, de fato, muita arrogância. Se um único consumidor, ao interagir no mercado, influencia nas decisões dos empresários e no rumo da economia, imagine o governo com todo o poder econômico que tem nas mãos, principalmente com o investimento de capital inexistente. Enfim, não aceitar a decisão soberana dos consumidores (o povo) é uma tremenda falta de democracia econômica. É a pior das ditaduras.

criado por frypl    17:53 — Arquivado em: Sem categoria

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