É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI

DISCUSSÃO SOBRE AS POLÍTICAS ECONÔMICAS

15.4.08

A MOEDA - PARTE III

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em  http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

Voltando ao exemplo anterior, se a quantidade de produto for aumentada de 100 para 110 unidades, a quantidade de dinheiro deverá ser aumentada também de 100 para 110 unidades de dinheiro o que proporcionará a estabilidade do preço em 1 real, pela divisão da quantidade de dinheiro pela quantidade de produto. Esta é uma relação econômico/matemática das mais elementares. Mas, os governos de vários países, incluindo-se os do Brasil, desde as épocas mais remotas até os dias de hoje, vêm enganando as suas populações. Aumentam a quantidade de dinheiro em circulação financiando o seu excesso de consumo sem o equivalente aumento da quantidade do Produto Interno Bruto (PIB), o que provoca uma alta geral de todos os preços. Fazem isto sorrateiramente, imaginando que ninguém perceberá. Mas o mercado funciona automaticamente quando percebe a alteração da quantidade de dinheiro em circulação, e imediatamente faz a correção, dividindo a quantidade de dinheiro pela quantidade de produtos. E, quando o mercado responde tentando se ajustar a nova quantidade de dinheiro em circulação (inundação monetária), os governantes intervencionistas e fazedores de planos econômicos anticapitalistas, acusam os empresários de sabotadores e inimigos da Pátria. Os verdadeiros inimigos do povo são estes governantes irresponsáveis, ou mal intencionados, que gastam mais do que aquilo que existe para gastar e levam os países a processos inflacionários, dos quais para se livrarem, toda a população paga um alto custo social onde os mais pobres são os maiores prejudicados. Esta é a situação do Brasil neste momento, e da Argentina em situação ainda pior.
Em certas circunstâncias, por paradoxal que possa parecer, é prudente que se ande mais devagar para que se chegue em menos tempo e sem percalços a um objetivo almejado. Esta é a tática dos maratonistas vitoriosos. Para ganhar a corrida eles não podem dar piques como se fossem correr 100 metros rasos. Com a economia de um país acontece o mesmo. Porém os governantes, pressionados pela oposição demagógica em nome da justiça social, e com medo de perder a próxima eleição, imprimem um ritmo de crescimento e de distribuição de benefícios superior a capacidade do País, para logo em seguida perder o fôlego e entrar em desaceleração econômica. É por isso que se verificam períodos alternados de crescimento e decréscimo econômico, provocados pela ânsia muitas vezes até bem intencionada dos governantes em acelerar o desenvolvimento.
Vamos supor agora que, como no exemplo anterior, existam 100 unidades de dinheiro e 100 unidades de produtos, onde o mercado estabeleceria automaticamente, o preço de 1 real, dividindo a quantidade de dinheiro em circulação pela quantidade de produtos existentes. Digamos que o governo resolveu tabelar o preço da unidade de produto em 0,50 unidades de dinheiro (cinqüenta centavos). Então as 100 unidades de produtos existentes serão compradas por apenas 50 unidades de dinheiro (cinqüenta reais) e sobrarão outras 50 unidades de dinheiro (cinqüenta reais) que não terão nenhuma serventia, pois que não há mais produtos a disposição. Haverá dinheiro e não haverá o que comprar. Isto ocorre sempre que o governo tabela e congela preços, pretendendo combater a inflação sobre a qual ele, governo, é o único responsável. Este fenômeno é observado, ao longo da história, sempre que o governo tenta combater a inflação com controles de preços. Nos países socialistas, este fenômeno é constante, porque todos os preços são tabelados e o sistema produtivo não consegue suprir as necessidades da população. As pessoas têm o dinheiro na mão, mas não encontram mercadorias para comprar.
Gostaria ainda de tecer alguns comentários sobre a relação internacional das moedas, ou seja , sobre o câmbio. Utilizando-me ainda do exemplo anterior, se um determinado país possui 100 unidades de produtos e 100 unidades de dinheiro, ou seja, um PIB de 100 e uma base monetária de 100, temos uma relação de 1/1. Se outro país possui um PIB de 1000 e uma base monetária de 1000, também temos uma relação de 1/1. Se esses dois países forem, por exemplo, respectivamente, Argentina e Brasil, uma maçã na Argentina terá o preço de 1 peso e no Brasil de 1 real. Neste caso o mercado estabelece uma paridade cambial automática entre as moedas desses dois países: 1 peso é igual a 1 real que é igual a 1 maçã.. Se no decorrer do tempo houver evoluções desiguais na relação moeda/produto desses países, ou seja, se em um deles houver inflação maior do que no outro, a paridade deixará de existir. Se na Argentina houver um aumento da base monetária de 100 para 110, permanecendo o PIB em 100 e no Brasil mantendo-se os mesmos valores, a paridade cambial deixará de existir. Nesta nova situação, na Argentina serão necessários 1,1 pesos para se comprar 1 maçã, enquanto que no Brasil será necessário apenas 1 real, donde se conclui que 1 real eqüivale a 1,1 pesos que eqüivale a 1 maçã. Quando, nestes casos, os países não permitem a livre flutuação do câmbio para se ajustar a nova situação, causam distorções nas relações internacionais de preço.

criado por frypl    12:06 — Arquivado em: Sem categoria

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