É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI

DISCUSSÃO SOBRE AS POLÍTICAS ECONÔMICAS

15.4.08

A MOEDA - PARTE II

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

 
Farei mais três simulações, alterando as quantidades de produto e as quantidades de dinheiro em circulação, visando demonstrar a diferença entre inflação e alta de preços:
1) Se a quantidade de dinheiro for diminuída em 10%, e mantida a quantidade de produto, teremos 90 unidades de dinheiro para 100 unidades de produto. 90 reais divididos por 100 produtos é igual a 0,90. Cada unidade de produto custa, então, noventa centavos. Tivemos uma correção de preço para baixo devido a uma deflação de 10%.
2) Se houver uma diminuição na quantidade do produto para 90 unidades, e for mantida a quantidade de dinheiro em circulação em 100 unidades de dinheiro, teremos 100 reais divididos por 90 unidades de produto, que é igual a 1,11. Tivemos uma alta de preços de 11%, pela diminuição do produto, sem que tenha havido inflação.
3) Se houver um aumento na quantidade de produto em 10%, sem que haja alteração na quantidade de dinheiro em circulação, teremos 100 reais divididos por 110 produtos que é igual a 0,90. Cada unidade de produto custa então, noventa centavos. Tivemos uma baixa do preço em 10%, pelo aumento da quantidade de produto, sem que tenha havido deflação.
Estas considerações são válidas para um mercado que esteja funcionando livremente, sem a interferência do governo no que se refere a preço. É obvio também, que na realidade o sistema não é tão simplificado como apresentado nas simulações, porém o princípio de funcionamento está totalmente correto.
Diante do exposto, podemos concluir que os preços nominais de mercado dependem da quantidade de dinheiro em circulação e da quantidade de produtos em oferta. Portanto, os preços podem variar por duas razões: 1ª- Quando os preços oscilam em função da variação da quantidade de produtos ou variação do consumo é alta ou baixa dos preços. 2ª- Quando os preços oscilam em função da variação da quantidade de dinheiro em circulação é inflação ou deflação. Por isso, quando há uma alta de todos os preços dentro do país, e se sabe que praticamente não houve variação do PIB, é sinal de que o governo está fabricando dinheiro para gastar, está aumentando a quantidade de dinheiro em circulação sem o correspondente aumento da produção. Portanto, nos processos inflacionários, é ignorância técnica das pessoas e das entidades acusar os empresários e o “neoliberalismo” ou a quem quer que seja de responsáveis pela inflação. Em qualquer país o governo é o responsável pela inflação, pois detém o monopólio da fabricação de dinheiro. E, aos defensores da teoria da inflação inercial nada tenho a opor, apenas acrescento que da mesma maneira o governo é quem causa o desequilíbrio inicial, vencendo a inércia da estabilidade e dando a partida aos processos inflacionários.
Pode-se visualizar nesse quadro que a situação ideal para o trabalhador (consumidor) é haver aumento na oferta do produto (aumento do PIB), e escassez na oferta de mão-de-obra.(diminuição do desemprego). A combinação desses dois fatores que são fomentados pela acumulação de capital, fará o preço dos produtos baixarem e o preço dos salários subirem, natural e gradativamente. E, é dessa maneira inteligente e pacífica que o capitalismo/liberalismo promove uma melhor distribuição de renda, sem luta de classes, sem greves, sem destruição de patrimônios, sem vítimas e sem consumo de energia humana desnecessário, infrutífero e antiproducente.
Em todos os países existentes sobre a face da terra, dos mais socialistas aos mais capitalistas, os seus governos possuem o monopólio da fabricação de dinheiro. Dessa maneira, o governo é quem é o responsável e quem deve zelar pela manutenção do valor da moeda do país. Como é que o governo evita a desvalorização da moeda? Evitando aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. E como é que o governo evita o aumento da quantidade de dinheiro em circulação? Mantendo as suas contas equilibradas, isto é, não gastando mais do que arrecada. O governo só pode aumentar a quantidade de dinheiro em circulação quando primeiro for aumentada a quantidade do produto.
Não é de admirar que a maioria da população não instruída desconheça a relação existente entre o aumento da quantidade de dinheiro em circulação e a inflação. (A emissão é a inflação em si mesma e a subida dos preços a conseqüência). O que não se pode admitir é que certas pessoas influentes e formadoras de opinião, principalmente economistas pós graduados, depois de passarem vários anos esfregando os traseiros nos bancos das universidades, não compreendam essa relação elementar. É de causar indignação quando se assiste aos repórteres, comentaristas e colunistas das maiores redes de comunicação do País, todos com formação superior, fazerem escola ao acusarem o chuchu ou o tomate de vilões da inflação do mês.
Imagine se só você pudesse fabricar dinheiro e fosse proibido o aumento dos preços! Você compraria o país inteiro. Agora imagine você, se os particulares não se defendessem do governo reajustando os preços dos seus produtos quando o governo emite dinheiro (fabrica papel pintado) acima do aumento do PIB, de maneira continuada. Ocorreria a transferência de todo o patrimônio particular para a posse do governo. Seria a intervenção total, ou seja, uma completa estatização, ou ainda, o socialismo econômico real.
Quando o governo congela preços e emiti dinheiro sem lastro, causa uma total desorganização na economia de mercado, levando a iniciativa privada à uma situação muito difícil. Aí então, o governo, apoiado pela elite burra ou mal intencionada (não se sabe) e pela população ignorante – como já aconteceu neste País em outras oportunidades (é possível que ocorra novamente) - poderá dizer aos empresários em má situação: infelizmente, a iniciativa privada não é competente o bastante visto que está falindo, nem socialmente justa pois está demitindo seus empregados. A única saída é estatizar estas empresas. Possivelmente os socialistas/comunistas irão se utilizar deste artifício, caso vençam as próximas eleições presidenciais, para promover a estatização.
O FMI há muito tempo vem tentando conscientizar os governantes dos países aos quais socorre, da necessidade do rigoroso equilíbrio das contas públicas desses países. Contas públicas equilibradas criam um clima favorável ao desenvolvimento, e impedem o avanço da intervenção econômica na iniciativa privada, isto é, impedem o avanço do socialismo. É por este motivo que os socialistas/comunistas odeiam o FMI.
Até poucos dias atrás as prefeituras e os governos estaduais debitavam o seu excesso de consumo por conta de empréstimos contraídos junto ao governo federal – operador da máquina de fabricar dinheiro - e que nunca eram saldados. Só se ouvia falar da rolagem e aumento dessas dívidas. Agora, com a Lei da Responsabilidade Fiscal, a farra acabou. Este é um indício de que o Brasil caminha para o equilíbrio fiscal e no rumo certo para a conquista e a manutenção de uma moeda forte e respeitada, um dos pré-requisitos para o desenvolvimento.

criado por frypl    11:33 — Arquivado em: Sem categoria

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