É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI

DISCUSSÃO SOBRE AS POLÍTICAS ECONÔMICAS

22.10.07

SÓ EDUCAÇÃO NÃO BASTA

É preciso ter coragem para discordar daqueles que defendem a panacéia da educação. Mas, a finalidade deste espaço é o debate. E debate envolve discordância. O problema educacional é apontado por todos como sendo o responsável pela precária situação econômica do nosso País. Quando discutimos educação estamos tentando encontrar caminhos que possam melhorar a situação econômica - os baixos salários e o desemprego - de uma grande parcela do povo brasileiro. Porque a finalidade da educação é econômica, é a melhoria do padrão de vida.
Vou contar uma história verídica a qual acompanhei o seu desenrolar. Eu morava no Paraná e trabalhava em uma empresa estatal cheia de engenheiros e técnicos que trabalhavam muito pouco e percebiam altos salários, principalmente os 80% dos funcionários que batiam o ponto no escritório central da empresa no Rio de Janeiro. Posso garantir que nas localizações de atuação da empresa, ou seja, nas usinas e subestações que é onde atua o funcionário produtivo - o operário - havia 4 vezes mais funcionários que o necessário. Pelo meu levantamento havia aproximadamente dois mil funcionários nas localizações de atuação e oito mil no escritório central, perfazendo um total de dez mil. Entendo que de quinhentos a mil funcionários no escritório central já seria um exagero, tendo em vista que nenhum projeto e nenhuma obra eram executados pelos funcionários, mas por empreiteiras. Numa empresa onde mil e quinhentos funcionários seriam mais do que suficientes, havia 10 mil. Milhares de EMPREGOS IRREAIS. Agora multiplique esse desperdício de mão-de-obra por todas as empresas estatais e por todos os órgãos públicos em todos os níveis de governo.
Enquanto isso, o Baiano, com uma pequena barraca numa dessas feiras de produtores rurais, vendia hortifrutigranjeiros. A feira acontecia uma vez por semana, sempre às quintas-feiras. Começou com poucos itens, imagino que por falta de capital, mas o Baiano era um ótimo vendedor, e algum tempo depois, sua barraca era uma das mais sortidas e movimentadas da feira. O Baiano cativava a simpatia da freguesia com o seu jeito alegre e brincalhão. Passado mais algum tempo ele alugou uma pequena sala onde podia vender os seus produtos todos os dias da semana. Quando alguém pagava a conta com cheque, o Baiano mostrava toda a sua criatividade. Como era analfabeto, e não tinha como saber se o valor estava correto, sutil e sorrateiramente, se socorria em alguém que estivesse por perto, pedindo: leia aqui para min, estou sem os meus óculos. As notas de dinheiro ele conhecia pela cor, e eu como seu freguês habitual nunca presenciei algum erro seu na hora de fazer o troco. E o Baiano seguia em frente. Alugou mais duas salas contíguas a sua para a ampliação do negócio. Antes trabalhava só com a sua família, mas nesta etapa do negócio teve de contratar mais funcionários. O Baiano começou a gerar EMPREGOS REAIS para além da sua família. Depois de mais algum tempo, em uma esquina próxima da sua fruteira, começou a ser erigido um prédio. Em pouco tempo via-se que era um prédio de dois andares. Um dia cheguei à fruteira e perguntei ao Baiano: Quem está construindo aquele prédio ali? E o Baiano me respondeu com um largo sorriso: ali será a sede própria da fruteira do Baiano, e em cima será a minha casa. Alguns meses mais e o Baiano inaugurava a sua nova fruteira muito bem organizada. Era a maior e mais linda fruteira da cidade. Dei os parabéns ao Baiano que não cabia em si de orgulho e felicidade. O Baiano era um grande EMPREENDEDOR ANALFABETO. Eu disse que era, porque infelizmente o Baiano morreu afogado numa praia do Paraná. Ele era um baiano que não conhecia o mar. Tirou uns dias de folga e foi à praia veranear. Estava tomando banho de mar quando o seu relógio caiu do pulso, ao tentar encontra-lo não percebeu uma onda que o derrubou e ele acabou morrendo afogado.
Qual a moral dessa história? A moral é a seguinte: para que o povo de um país tenha um mínimo de dignidade – leia-se: alimentação, vestuário, saúde e teto, tudo simples - não basta educação. É preciso dar valor aos empreendedores. Incentiva-los a ter lucro e reinvestir esse lucro no seu negócio. Precisamos mudar a nossa mentalidade. Precisamos entender que ter lucro não é imoral, mas necessário para fazer a economia crescer. O dono de empresa que esbanja o seu lucro, ou não o obtém, nunca terá sucesso. Quando vemos um empresário bem sucedido, é sinal de que ele cuida e aplica bem os seus resultados, e se caracteriza em uma pessoa frugal. Não precisou ninguém ensinar isso ao Baiano. Ele era um empreendedor nato.
Estou dizendo isto porque virou lugar comum o panacéico discurso de que a única solução para o nosso País é investir pesado em educação. E que só a educação vai resolver todos os nossos problemas. Temos que ter cuidado com isso para não frustrar a expectativa das pessoas. Aqueles que, hoje, vendem essa idéia são os mesmos que, há mais de 20 anos, vendiam a idéia de que só uma nova constituição poderia resolver todos os problemas brasileiros. A nova constituição foi promulgada em 1988 e até agora não percebemos melhora alguma, ou até piorou, tendo em vista que a renda per capita tem diminuído nos últimos anos. Pois, afirmo com convicção, que se apostarmos somente na educação, sem uma desregulamentação do mercado, sem uma diminuição do Estado e sem uma redução de impostos, isto é, sem a implantação do livre mercado, segundo os princípios do Liberalismo Clássico, seremos um País de decepcionados DOUTORES MISERÁVEIS, tal como ocorre em Cuba, onde um médico percebe a humilhante quantia de 30 dólares por mês.
Realmente temos que investir em educação, mas também temos que criar MERCADOS REAIS para esses profissionais. E esse é o trabalho dos empreendedores.
Não adianta gastar bilhões com as escolas e universidades públicas formando profissionais maravilhosos, para depois essa mão-de-obra qualificada ser desperdiçada na ociosidade de um monopólio estatal, ou numa repartição pública abarrotada de paletós onde o empreguismo e o vício politiqueiro campeiam despudoradamente.

criado por frypl    20:54 — Arquivado em: Sem categoria

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