20.9.07
MAIS EMPREGOS
As causas do desemprego no Brasil são diversas, mas uma em especial, vivenciei bem de perto. Em meados da década de 90 eu tinha uma fábrica de móveis sob medida e guarda-sóis de madeira para piscinas. O Tonico era um marceneiro dedicado e com muito esforço, conseguiu economizar uma quantia em dinheiro e com um pouco mais arranjado emprestado, montou uma fábrica dessas cadeiras torneadas. Para a minha fabricação do guarda-sol faltava a máquina de fazer o mastro do guarda-sol, e o Tonico tinha essa máquina. Eu conhecia o Tonico, mas nunca tinha visitado o seu estabelecimento. Certo dia, fui até a sua marcenaria para acertar o trabalho que seria executado pela sua tarugadeira. Chegando lá encontrei um galpão grande, cheio de máquinas dispostas uma ao lado da outra numa seqüência lógica, como deveria ser para a fabricação das cadeiras. Mas uma coisa me chamou a atenção: surpreendentemente, só o Tonico estava trabalhando. Trabalhava um pouco numa máquina, um pouco na outra, até aprontar todas as peças que seriam usadas para a montagem das cadeiras. Maior foi a minha surpresa quando vi sua escrivaninha cheia de pedidos de cadeiras. Intrigado, perguntei por que não havia mais gente trabalhando, já que ele tinha maquinário, matéria prima e pedidos de compra. A resposta: eu tinha alguns empregados, mas dois deles “me botaram na justiça” e levaram tudo o que eu tinha conseguido em anos de trabalho, e mais um pouco. Quase fui à falência. Por isso, agora, trabalho sozinho, produzo menos, mas não corro o risco de ser surrupiado.
Adverti:
- Por que você não registrou aqueles empregados?
- Todos eles estavam devidamente registrados e com os encargos sociais em dia, respondeu ele.
- Como conseguiram ganhar o processo?
- Testemunhas falsas, horas extras, dupla função e não sei o que mais. Você sabe como é essa coisa de justiça, não é? O empregado sempre tem razão.
Pois é. De juízes adeptos do preconceito marxista, de que os empregados sempre são explorados pelos patrões, o Brasil está cheio. Com os legisladores ocorre o mesmo. Essa proteção excessiva de inspiração marxista acaba prejudicando os próprios trabalhadores e a sociedade como um todo.
Quantos Tonicos amedrontados e quantas máquinas desocupadas devem existir neste nosso imenso País por conta dessa mentalidade anti-patrão promovida pelos defensores da luta de classes?
Precisamos compreender que o patrão também é trabalhador. Ele é o trabalhador que administra e dirige o negócio, e por sinal, sabemos que ele muitas vezes trabalha mais horas do que os outros. Com a experiência adquirida e o passar do tempo, alguns empregados também montam seus próprios negócios e geram empregos para os menos experientes. É assim que surgem os pólos industriais. E é assim que a economia cresce e cria novas oportunidades de trabalho para as novas gerações. Mas, urge a mudança da nossa mentalidade legislativa e judiciária para criar a cultura de uma cooperação social e econômica tranqüila entre patrões e empregados. Pode ter certeza que todos sairão ganhando.
criado por frypl
18:09 — Arquivado em: 
