É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI

DISCUSSÃO SOBRE AS POLÍTICAS ECONÔMICAS

30.7.09

COMENTÁRIO NO BLOG DO KUPFER

Vou contar uma história real que acompanhei. Um conhecido meu foi convidado para assumir o comando financeiro de uma empresa que se encontrava em dificuldades. Logo que assumiu passou a renegociar caso a caso. A situação era crítica. Nos primeiros dias de trabalho recebia de 3 a 4 ligações de cada banco – operava com 2 ou 3 bancos – para cobrir os cheques voadores que aterrissavam todos os dias com a ameaça dos gerentes de que as contas seriam encerradas se os cheques não fossem cobertos imediatamente. Os fornecedores faziam fila na sala de espera tentando cobrar as duplicatas vencidas. Os salários dos funcionários estavam atrasados. Havia algumas salas cujos aluguéis também estavam atrasados há mais de 3 meses. O INSS atrasado havia sido parcelado, mas ia vencer a terceira parcela o que acarretaria a perda do parcelamento e outras conseqüências. Também havia dívida de ISSQN junto à prefeitura, inclusive de valores já recebidos de clientes (prestadores de serviço), situação que configura apropriação indébita. A pressão era muito forte e a situação desesperadora.  

 

Obviamente a empresa chegou a esta situação graças a incompetência e irresponsabilidade do diretor financeiro anterior. O novo diretor planejou a venda de uma pequena parte da empresa. Com a entrada de capital novo conseguiu dar uma acalmada nos credores. Renegociou todas as dívidas adequando-as a realidade da empresa. E como era uma prestadora de serviços o que mais pesava nas despesas era precisamente a folha de pagamentos. Como naquela época havia uma inflação muito alta – em torno de 30% ao mês - foi fácil fazer uma redução de salários (os salários passaram a ser reajustados através de um redutor de inflação) acompanhados da correção total, sempre que possível, dos valores do fornecimento dos serviços prestados. Com isso conseguiu produzir lucros operacionais possibilitando a amortização das dívidas.

 

Depois de um determinado período de austeridade financeira e o cumprimento daquilo que havia sido renegociado, conseguiu restabelecer a credibilidade da empresa junto ao mercado, mesmo que todas as dívidas estivessem longe de ser quitadas. Durante o arrocho a que submeteu a empresa ele sofria muita pressão e reclamação dos funcionários que o chamavam de carrasco insensível. Antes de ser levada a cabo a tarefa de torná-la uma empresa sólida, saiu, entrando em seu lugar outro diretor mais ou menos da linha do anterior. O novo diretor imediatamente concedeu aumentos gerais de salários, afrouxou as despesas e aumentou os investimentos. Eu mesmo ouvi comentários de funcionários dizendo que “agora, sim, temos um diretor competente e não aquele idiota que não dava aumento pra ninguém”. Não percebiam aqueles pobres coitados que estavam a um passo de a empresa ter as portas lacradas e que eles corriam o sério risco de perder o emprego.  E é assim que funciona; períodos de austeridade e de impopularidade de uns (os malvados) servem para proporcionar períodos de esbanjamento e popularidade de outros (os bonzinhos). Se esta história revela alguma semelhança com alguns governos e governantes de alguns países (todos ou quase todos) não são meras coincidências.

criado por frypl    1:00 — Arquivado em: economia

É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI - O LIVRO

Se você quiser compreender o verdadeiro mundo em que vivemos, como, basicamente, funciona a economia e como podemos melhorar o nosso País, leia o livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”. A leitura é leve e de fácil compreensão. Você pode encontrá-lo no link http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1612568&sid=1661691281083731323677360&k5=15018AD0&uid=

criado por frypl    0:57 — Arquivado em: economia

17.7.09

CARGA TRIBUTÁRIA


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Sou um cara de boa fé, em princípio eu acredito nas pessoas. Houve um tempo em que, apesar de não concordar com a ideologia socialista/comunista/intervencionista, respeitava as pessoas que defendiam essas idéias porque achava que elas eram honestas. Hoje em dia sou um liberal bem mais convicto e perdi todo o respeito por essa corja que quer conquistar e manter o poder a qualquer custo. O PT era um partido com o qual não tinha afinidade ideológica, mas respeitava as pessoas que o compunham porque acreditava na sua boa intenção. Realmente eu era muito ingênuo. Depois de todos os escândalos em que se envolveram, das mentiras, dólares em cuecas, depois que descobri que eles são iguais ou pior que os outros, não acredito em nada que venha dessa gente, principalmente estatísticas. Porque eles fazem tudo com o único objetivo de se perpetuar no poder. O populismo, a busca pelo igualitarismo, a coletivização, a redistribuição artificial e demagógica da renda nos levará inevitavelmente a mais pobreza. Mas isso não importa para eles, o que importa é manter o poder e brincar de reizinho populista.

E antes que alguém me acuse de Tucano, declaro que não tenho partido, pois não existe nenhum neste país que seja digno do meu voto.

O problema, Ney Henrique, é que vocês socialistas/comunistas e intervencionistas só pensam na distribuição, não pensam na produção. Mas a produção está intimamente ligada e dependente do tipo de distribuição que se estabeleça. Sim, porque quem vive pregando o aumento de impostos não pode estar pensando no aumento da produção. Vocês planejam construir o segundo andar de um prédio sem antes ter construído o primeiro. O liberalismo prega uma maneira consistente de aumentar a produção e melhorar a distribuição. E não é aquela história idiota de fazer o bolo crescer para depois distribuir. Não é isso. Pois o bolo será distribuído na medida em que crescer, mas nunca antes de existir. Se o mercado produzir 5 sacos de feijão, os 5 sacos serão distribuídos. Se produzir 20 sacos, os vinte serão distribuídos. Qualquer coisa que o mercado produza, tenha certeza que será distribuído pelo próprio mercado na sua totalidade no decorrer do tempo. Então, o que pregamos é que se crie um clima favorável à multiplicação da produção. E esse clima não será conseguido com a alta carga tributária, com a ameaça constante da criação de impostos sobre os ricos, impostos sobre grandes fortunas, impostos sobre herança, controles de preços ou qualquer coisa que ameace o aumento da produção acima do aumento da população, ou seja, que ameace o aumento da produtividade. Vocês todos sabem muito bem que a maioria das pessoas constrói o que constrói objetivando o futuro da prole. Destruam essa motivação, e estarão destruindo a possibilidade do progresso.

Há princípios dos quais não se podem prescindir. Não há como aumentar a produção sem a prévia acumulação de capital. E esse capital acumulado deve ser aplicado nos setores produtivos da sociedade. E a sociedade assim o fará através dos empreendedores. Do outro lado, tudo o que é arrecadado em impostos vai para o setor improdutivo da sociedade, vai para uma máquina que consome muito e não produz nada. Nós sabemos como funciona o espírito de corpo. A sociedade deve despertar para isso, ou seja, para que não permita que o setor improdutivo cresça mais que os setores produtivos. Mas, infelizmente, é isso o que acontece nos países onde o Estado se agigantou. O setor improdutivo, o que manda, subjugou os setores produtivos da sociedade. O setor improdutivo também é necessário, mas ele não pode engolir os setores produtivos. Quanto menor o setor improdutivo e maior o setor produtivo, mais próspera será a sociedade. Isso é uma obviedade, mas tem gente que não enxerga.

Veja a vergonha que está o nosso congresso. Há dezenas de copeiros, garçons, diretores, faxineiros e serviçais para cada senador ou deputado donos de castelos, mansões, aviões… tudo pago por nós, os pagadores de impostos. Uma verdadeira destruição de riqueza. Uma vergonha, um descalabro, um escárnio… e faltam palavras para descrever aquele “paraíso infernal.” E aquilo se multiplica por dezenas de estados, milhares de municípios, centenas de estatais, milhares de autarquias e repartições públicas. Se lá, nas barbas da grande imprensa nacional a roubalheira e a sem-vergonhice correm soltas, imagine no resto do país. É uma sangria capilarizada de recursos sendo consumida por parasitas encostados nos donos do poder.

Nós, aqui do nosso lado, temos que pressionar para que isso diminua, afinal nós que produzimos coisas palpáveis é que estamos pagando essa conta criminosa. E pressionar não é ir lá na frente do congresso agitar bandeiras e gritar palavras de ordem. Não é isso. Pressionar para que aquilo lá diminua é usar todos os espaços que tivermos para pregar a diminuição do Estado. O Estado é necessário, mas não em demasia. Temos de pressionar para a diminuição dos impostos e conseqüente diminuição do desperdício, assim teremos mais capital aplicado no aumento da produção. Agora, quem não faz parte daquele clube de vigaristas privilegiados e amparados por leis sacanas pregar aumentos ou a manutenção dos altos impostos que já temos, como fazem alguns por aqui, é prestar um grande desserviço à nação - principalmente aos mais pobres - e assinar o atestado de burrice.

criado por frypl    16:08 — Arquivado em: economia

10.5.09

FABRICANDO A FUTURA CRISE

Os que estão no poder, hoje, mesmo que sejam da esquerda, ainda não acenam com a possibilidade de se estabelecer um controle total de preços. Não porque não tenham vontade, muito menos por convicção. É que o País atingiu certo grau de estabilidade de preços graças a ajustes efetuados pelos governos anteriores e que teve continuação no próprio governo Lula, apesar de ele ter pregado o contrário disso durante os seus 20 anos de campanha para presidente.

 

As políticas populistas estão sendo implementadas cada vez com mais intensidade. O País está sendo empurrado a gastar mais do que pode numa tentativa de acelerar o crescimento. Já não bastava o PAC, agora o governo lança, num momento estratégico eleitoral, o “minha casa, minha vida”, (minha eleição). Para a análise de crédito feita pela Caixa Federal a exigência é de documentos pessoais e comprovação de renda “formal ou informal”, - está na cartilha - ou seja, há um afrouxamento na análise de crédito induzida pelo governo. Concomitantemente há notícias de que os preços dos imóveis estão subindo mais do que a inflação, ou seja, está se criando uma bolha no mercado de imóveis. Este programa, guardadas as proporções, lembra bem a política habitacional que ajudou a aprofundar a crise norte americana. Vamos trilhar o mesmo caminho? A lição não serviu para nada?

 

As taxas de juros praticadas pelo Banco Central – até agora controladas com bastante perícia por Meirelles e cia, diga-se de passagem, e ainda assim tão criticadas pela militância esquerdista nacional - é que manteve a estabilidade econômica do nosso País e agora proporciona uma travessia da crise não tão traumática como em outros países. Não que este controle de preço do dinheiro tenha a aprovação sob um ponto de vista liberal. Mas é o sistema vigente, e enquanto não for mudado deve ser tocado com responsabilidade.  

 

Mas bastará alguma instabilidade nos preços e não faltará quem grite pedindo mais controle do governo. E se fizéssemos uma pesquisa popular descobriríamos que a maioria é a favor do tabelamento de preços. A nossa história recente (1986) nos brindou com a mais estapafúrdia aventura econômica já vivida no nosso País: o “plano cruzado – o plano da inflação zero”. Foi um plano que tabelou e congelou os preços de todos os produtos e serviços. Gerentes de lojas e de hotéis, donos de supermercados e empresários em geral foram transformados em criminosos e eram presos por vender produtos a preços fora do tabelamento do governo. Os bois eram caçados no pasto pela Polícia Federal sendo arrancados a força dos seus proprietários. E tudo isso com a aprovação da grande maioria dos “especialistas”, da mídia e da população. Logo em seguida ficou provado que controles de preços além de não funcionarem, causam desordem na economia e escassez de produtos, porque o governo sempre tabela abaixo do preço que seria praticado pelo mercado.

 

Agora o ponto onde eu queria chegar. Todo o produto tabelado abaixo do preço de mercado se torna escasso, porque há, por um lado um desestímulo a sua oferta, e por outro, um incentivo ao seu consumo, situação que proporciona uma dessincronia entre oferta e demanda. Com o dinheiro ocorre a mesma coisa. E o dinheiro é o produto mais importante em uma economia de mercado porque ele se relaciona com todas as outras mercadorias. Ele é a mercadoria comum a todas as outras mercadorias. Ele é o meio de troca. Por isso o seu tabelamento, ou seja, o tabelamento da taxa de juros causará distorções nos investimentos, principalmente se for com viés populista. Investimentos mal feitos não dão o devido retorno. Se não há retorno, a empresa quebra. Se a empresa quebra há desemprego. Se há muitas empresas quebrando há recessão e muito desemprego. É o círculo vicioso negativo. E isso ninguém quer, mas todos pedem, ingenuamente, talvez por influência dos “especialistas” e/ou por ignorância, que se reduzam drasticamente a taxa de juros. Juros baixos são desejáveis, mas a redução artificial dessa taxa é medida populista, e o populismo levou muitos países à bancarrota. É aí que mora o perigo. Receitas populistas num país de maioria semi-analfabeta é o caminho certo para crises futuras e atraso econômico.

 

Se quiserem mesmo diminuir a taxa de juros, o governo que pare de pedir emprestado, diminua a sua dívida e assim sobrará mais dinheiro para a iniciativa privada, com taxas de juros menores. O resto é artificialismo universalista.

 

criado por frypl    14:18 — Arquivado em: economia

25.12.08

EM DEFESA DO LIVRE MERCADO

Nestes tempos de turbulência, poucas vozes se levantam contra essa quase unanimidade na imputação da culpa ao livre mercado pela atual crise. Sinto que há a necessidade de mais contraditórios e acredito que com isso muita gente poderá mudar de idéia. Foi preciso muita coragem e convicção para escrever este artigo, diante das manifestações pró-intervenção de nomes de peso da área econômica e da gritaria da grande maioria dos defensores do anti-mercado.

Quando vai ao supermercado e compra um iogurte, você está interagindo no mercado, ou seja, no sistema de preços e produção. Você está mandando um recado aos empresários, dizendo para que mantenham ou aumentem o capital investido na produção do seu iogurte preferido. Se não concorda com isso e foi um eleitor do Lula, então você, de modo semelhante, acha que o seu voto não teve nenhuma importância para a eleição do Presidente da República. Então talvez você pense: - se eu não comprar o iogurte não haverá alteração nenhuma na sua produção. E se eu não tivesse votado no Lula ele seria igualmente eleito.

Mas, e se a grande maioria pensar como você? A fábrica de iogurte fecha e o Lula não teria sido eleito, correto? Os fabricantes de iogurte e de todos os outros tipos de mercadorias existentes travam uma luta diária para conquistar e manter a sua preferência, assim como o Lula lutou para conquistar o seu voto. A diferença é que os empreendedores precisam da aprovação diária para os seus produtos, enquanto que os políticos têm um período de alguns anos de pré-aprovação. Se o empresário não atender as expectativas dos consumidores, será banido imediatamente da sua atividade. O mercado é ágil. Já a substituição dos políticos e suas políticas desenvolvimentistas, levarão alguns anos. Muitas vezes o autor de determinada lei já morreu, mas ela continua lá fazendo estragos por longos anos até que, talvez um dia, seja revogada.

Traço este paralelo entre o consumidor e o eleitor somente para demonstrar a importância de um único consumidor e de um único eleitor nos processos econômicos e eleitorais, respectivamente. Quando o consumidor é ignorado nesta consulta para a orientação da produção, ou seja, quando os políticos e os tecnocratas são quem determinam quais as áreas econômicas que devem ser desenvolvidas, acabam sendo produzidas algumas coisas em excesso e outras deixam de ser fabricadas. Essas desorganizações das produções, dependendo do volume e da persistência com que ocorrem, causam distorções no sistema de mercado podendo chegar a graves crises econômicas como a que está ocorrendo nos EUA. Quando os recursos são aplicados de maneira equivocada, chega um momento em que é preciso parar e corrigir o rumo. Essa reorientação sempre é acompanhada de uma recessão, quer queiram quer não. Este é o caso quando os governos e seus tecnocratas ignoram as possibilidades do mercado, os desejos e as ordens dadas pelos consumidores.

Quando um empresário falha na identificação das ordens dos consumidores, apenas a sua empresa e os seus empregados pagam a conta do fracasso. Mas quando um governo, ao tentar substituir as leis de mercado por operadores tecnocratas, erra o caminho, todos os ramos de atividade são prejudicados. As falhas de mercado, ou dos agentes do mercado, são menores, isoladas e se resolvem caso a caso. Quando uma empresa desaparece, os seus clientes passam a ser atendidos pelas sobreviventes do mesmo ramo, fortalecendo-as. Já as falhas de governos são grandiosas, contaminam toda a economia, há lentidão na identificação do erro cometido e na sua resolução.

Os homens públicos adoram passar para a História sendo lembrados como os grandes desenvolvedores de uma área econômica específica. Politicamente é uma jogada genial, para a economia e para o povo é uma desgraça. Juscelino foi o homem da indústria automobilística. Seu slogan era: governar á abrir estradas. Lula se diz o presidente da auto-suficiência do petróleo, Brizola é lembrado como o homem da educação. Até os do norte prometeram uma casa para cada americano. Não que todas estas coisas não sejam importantes, antes pelo contrário. Mas os consumidores são quem, em última instância, devem definir onde será aplicado o capital disponível - como numa espécie de orçamento participativo automático, diário, dinâmico, espontâneo, ininterrupto, inconsciente, justo e natural – caso contrário sempre haverá problemas econômicos e as recorrentes crises. Vejo o livre mercado como sendo a própria democracia direta, porém com a grande vantagem de eliminar o atravessador político, ou seja, o livre mercado é a democracia diretíssima.

Um sistema de tamanha complexidade, como é o sistema de mercado, que funciona automaticamente de acordo com o interesse e a ação de cada indivíduo integrante da sociedade, jamais será vilipendiado por pessoas que se acham mais capazes de ditar os rumos da economia em lugar da opinião de milhões de consumidores, sem sofrer as inevitáveis conseqüências. O pensamento e a ação contrários a isso contêm, de fato, muita arrogância. Se um único consumidor, ao interagir no mercado, influencia nas decisões dos empresários e no rumo da economia, imagine o governo com todo o poder econômico que tem nas mãos, principalmente com o investimento de capital inexistente. Enfim, não aceitar a decisão soberana dos consumidores (o povo) é uma tremenda falta de democracia econômica. É a pior das ditaduras.

criado por frypl    17:53 — Arquivado em: Sem categoria

24.10.08

É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI - o livro

Se você quiser compreender o verdadeiro mundo em que vivemos, como, basicamente, funciona a economia e como podemos melhorar o nosso País, leia o livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”. A leitura é leve e de fácil compreensão. Você pode encontrá-lo no link http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1612568&sid=1661691281083731323677360&k5=15018AD0&uid=

criado por frypl    9:11 — Arquivado em: economia

29.5.08

O IMPOSTO INVISÍVEL

Através da ausência da parcimônia, e de um imposto invisível decorrente do monopólio do Estado na emissão da moeda, podemos demonstrar uma das maiores causas da falta de crescimento econômico permanente em todos os países de uma forma geral. O crescimento de uma empresa ou de um país só ocorre quando o capital acumulado é investido com o objetivo de aumentar a produção. Se uma empresa distribuir, hipoteticamente, todo o seu lucro entre seus empregados, o que pareceria muito justo aos olhos de alguns, e que teria grande simpatia entre os defensores da artificial distribuição de renda, e presumindo-se que os empregados direcionarão aqueles recursos para o consumo, a empresa não terá crescimento. Se assim também as demais empresas agirem, não haverá crescimento dentro do país onde essas empresas estiverem instaladas, levando-se em conta que o aumento do PIB é o resultado do somatório do crescimento de todas as empresas. Desta maneira, toda a poupança estará dirigida para o consumo, ou seja, não haverá poupança, e nada será destinado ao investimento com vistas ao aumento da produção.

Por outro lado, quando uma empresa usa o seu lucro para aumentar a sua planta, adquirir mais uma máquina, contratar mais um empregado, ela está, por assim dizer, tomando emprestado o que seria imediatamente distribuído aos atuais trabalhadores, para construir o caminho que proporcionará o ingresso dos desempregados e das novas gerações ao mercado de trabalho, processo que se repetirá se transformando num círculo vicioso positivo, o chamado “círculo virtuoso”. Assim, naturalmente, pelo interesse próprio, as empresas substituem com vantagens as “ações altruístas” deliberadas.

Observando o sistema atual, mesmo se tivéssemos governos totalmente responsáveis no tocante ao controle da moeda, quando o PIB crescer um percentual qualquer, o governo, na condição de único responsável pela oferta monetária, tem a obrigação de emitir moeda para propiciar a circulação das mercadorias ao mesmo nível geral de preços que eram praticados antes desse aumento do PIB, pois caso contrário, isto é, se o governo não colocar mais dinheiro em circulação, os preços terão uma queda geral relativa ao aumento do PIB: uma “deflação”.

Em outras palavras, como sabemos que em uma economia de mercado os preços se ajustam à quantidade de dinheiro e crédito em circulação, então com mais produtos e a mesma quantidade de dinheiro, as leis de mercado proporcionam uma queda geral nos preços, e para que isso não ocorra o governo deve colocar mais moeda em circulação. Do mesmo modo quando o governo, na condição de único responsável pela emissão de moeda, injeta dinheiro no mercado acima do aumento do PIB – como o fez desbragadamente no Brasil há alguns anos – há uma alta geral dos preços, o que chamamos de inflação.

Assim como a inflação é indesejável, a deflação também o é. O que interessa é a estabilidade. É aí que ocorre um fenômeno interessante. Como é que, mesmo quando necessário, o governo injeta mais dinheiro em circulação? Através do próprio consumo. Como sabemos, o governo é, em todos os níveis, um grande consumidor onipresente dentro do país. Ele consome desde cafezinho e açúcar para os seus funcionários até máquinas de todos os tipos e tamanhos. Alguma parte desse dinheiro novo acaba indo para o investimento produtivo, mas não sabemos qual o percentual, pois não dispomos de nenhum mecanismo que possa mensurar isso com seguraça. O tamanho do crescimento é diretamente proporcional àquela quantia que é aplicada ao investimento produtivo. Porém a maior parte dessa quantidade de dinheiro novo colocado pelo governo em circulação, vai para o consumo e não para o investimento produtivo. A maior parte do montante das poupanças de todas as empresas acaba indo, desta maneira, via governo, para o consumo. É por isso que o crescimento sempre vem acompanhado de inflação, situação que faz com que o governo, num segundo momento, tenha que pisar no freio da economia.

Como fica claro, o monopólio sobre a emissão de moeda trás embutido um imposto invisível e progressivo sobre o crescimento econômico. Se o PIB, por exemplo, crescer 3%, o governo gasta 3% a mais para fazer o equilíbrio monetário. Se o PIB crescer 10%, o governo gasta 10% a mais para manter o equilíbrio. Ou seja, quanto maior o crescimento econômico, maior é a alíquota de imposto cobrada pelo governo via emissão de moeda. Poderíamos chamar este imposto de ICE - imposto sobre o crescimento econômico - (Nada a ver com a palavra inglesa, mas que é uma fria, isso é. rs rs rs…) Falando sério, é óbvio que um imposto progressivo sobre o crescimento tende a refreá-lo.

Então, se, em função do aumento do PIB, o governo pode, até certo ponto, aumentar os seus gastos sem causar inflação, de algum lugar esses recursos saem. Se não foi o governo que proporcionou esse aumento do PIB, só pode ter sido a iniciativa privada, o povo. Mas quem se beneficia do aumento da produtividade não é o povo e sim o governo via emissão de moeda. Esses recursos são, desta maneira, extraídos da população através de um imposto progressivo, invisível e imperceptível. Quando há o crescimento econômico, o governo se beneficia de duas maneiras: 1) Por uma maior arrecadação proporcionada pelo próprio crescimento econômico. 2) Pela possibilidade de aumentar os seus gastos - sem causar inflação - para fazer o equilíbrio monetário via emissão de moeda.

Quando o governo aumenta o consumo interno através da emissão de moeda, ou seja, passa a gastar mais do que vinha gastando antes com o intuito de equilibrar o aumento da oferta, está agindo da mesma maneira que a empresa que distribui todo o lucro entre seus empregados, ou seja, não há sobras para o investimento no aumento da produção. Todo o esforço das empresas no sentido de economizar, poupar, acumular, será neutralizado pelo governo ao dissipar recursos parcimoniosamente poupados pelas empresas. No entanto nunca podemos esquecer que a população cresce sem parar, e para que haja progresso, o crescimento econômico deve ser maior que o crescimento populacional, ou seja, para que haja aumento da produtividade, ou ainda, aumento do PIB “per capita”.

Todos os governos já provaram ser perdulários e incompetentes. Todos os dias assistimos um festival de falcatruas, desvios, fraudes de todos os tipos relacionados a falta de controle dos recursos sob administração do governo de forma geral. Observe-se que onde há corrupção, sempre há algum órgão do governo envolvido. O mais recente é o escândalo dos cartões corporativos. No entanto temos um sistema econômico que depende totalmente das manobras monetárias do governo. Certamente esta é a explicação para as baixas taxas de crescimento verificado na maioria dos países.

Todas as empresas têm um sócio perdulário chamado GOVERNO. É por isso que pregamos a diminuição do Estado. Menos Estado significa menos desperdício, mais eficiência e, óbvio, melhores resultados.
A incumbência de regular a quantidade de dinheiro em circulação atribuída ao Estado, aliada a sua vocação perdulária, tem causado, ao longo da História, a falta do crescimento econômico a que todos nós clamamos.

A Terra gira ao redor do sol e não podemos mudar isto. O crescimento econômico depende da acumulação de capital e não podemos mudar isto. Ou, se alguém sabe como aumentar a plantação de feijão sem guardar as sementes, que apresente a solução.

criado por frypl    16:27 — Arquivado em: Sem categoria

15.4.08

A MOEDA - PARTE IV

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em  http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

Se tabelam o câmbio valorizando a sua moeda acima do valor que seria determinado pelo mercado, estão estimulando a importação e proporcionando uma concorrência predatória para a indústria nacional e a queima das reservas cambiais. Estão bancando uma insustentável situação de inflação, artificialmente, com as reservas cambiais que foram, pacientemente, acumuladas no decorrer do tempo. Enquanto as reservas vão sendo consumidas com a compra de produtos estrangeiros numa vã tentativa de conter a escalada dos preços, a verdadeira inflação vai aparecendo. Isto significa que o governo argentino, utilizando-se das reservas cambiais, banca por 1,1 pesos a preço internacional e revende a maçã por 1 peso a preço interno numa tentativa de manter estável o preço doméstico. É por isso que a Argentina está, agora, sem reservas internacionais e de chapéu na mão mendigando a ajuda das instituições financeiras internacionais. Veja no que se transformou um país que era comparado aos melhores países da Europa. Esta é a dramática situação da Argentina com a sua economia corroída gradualmente desde o início da era Peron pelo seu intervencionismo distributivista e paternalista cujo golpe final foi desferido pelo seu seguidor Carlos Menen quando estabeleceu durante os últimos anos uma paridade cambial artificial suicida que levou aquele país ao consumo total das reservas internacionais, à decadência econômica, ao empobrecimento da população, ao desemprego em massa e à convulsão social.
Veja quão importante é o cuidado que se deve ter com a moeda de um país. Quanto mais fortes e duradouras forem as políticas econômicas intervencionistas (antiliberais), como no caso do tabelamento do câmbio argentino, mais rápida e eficazmente chega-se a destruição da moeda e da economia de qualquer país.
Se o governo tabela o câmbio valorizando a sua moeda abaixo do valor que seria determinado pelo mercado, está estimulando a exportação em detrimento do consumo interno e aumentando as reservas cambiais.
Nenhuma das duas situações artificiais de controle do câmbio mencionadas (sobrevalorização e subvalorização) é sustentável indeterminadamente. A liberdade cambial é a melhor maneira de se estabelecer relações estáveis no comércio internacional e preservar a economia interna de um país.
As considerações aqui apresentadas sobre o comportamento dos preços internos e sobre as relações internacionais das moedas são meramente técnicas, não sendo considerados os componentes emocionais e de desconfiança política que circunstancialmente existem.
Não obstante o seu dinamismo, o capitalismo por si só não gera oscilações bruscas na economia a ponto de desestabilizar um país. Sempre que a desestabilização ocorre é porque o capitalismo foi substituído por planejadores autoproclamados capazes de fazer melhor do que o livre mercado faria.
Tudo o que foi dito até aqui em relação a moeda, foi levando em consideração o monopólio estatal, que vigora em todos os países do planeta. Porém, nada disso seria necessário caso houvesse uma competição entre emissores privados de moeda. Essa idéia é defendida pelo Prêmio Nobel de Economia Frederick Hayek em seu livro Desestatização do Dinheiro. Com a competição entre moedas privadas conforme prevê em seu trabalho teórico, não haveria sobressaltos na economia, o que possibilitaria um desenvolvimento sustentado, acelerado e sem inflação. É fácil compreender porque os governantes nem cogitam em adotar tal sistema monetário. Isso lhes retiraria grande parte do poder centralizador. No dia em que a maioria do povo compreender que na moeda única reside a possibilidade de manipulação da economia e concentração do poder, então teremos dado um grande passo no sentido de resolver verdadeiramente os grandes problemas sociais como a miséria e má distribuição da renda.

criado por frypl    12:09 — Arquivado em: Sem categoria

A MOEDA - PARTE III

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em  http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

Voltando ao exemplo anterior, se a quantidade de produto for aumentada de 100 para 110 unidades, a quantidade de dinheiro deverá ser aumentada também de 100 para 110 unidades de dinheiro o que proporcionará a estabilidade do preço em 1 real, pela divisão da quantidade de dinheiro pela quantidade de produto. Esta é uma relação econômico/matemática das mais elementares. Mas, os governos de vários países, incluindo-se os do Brasil, desde as épocas mais remotas até os dias de hoje, vêm enganando as suas populações. Aumentam a quantidade de dinheiro em circulação financiando o seu excesso de consumo sem o equivalente aumento da quantidade do Produto Interno Bruto (PIB), o que provoca uma alta geral de todos os preços. Fazem isto sorrateiramente, imaginando que ninguém perceberá. Mas o mercado funciona automaticamente quando percebe a alteração da quantidade de dinheiro em circulação, e imediatamente faz a correção, dividindo a quantidade de dinheiro pela quantidade de produtos. E, quando o mercado responde tentando se ajustar a nova quantidade de dinheiro em circulação (inundação monetária), os governantes intervencionistas e fazedores de planos econômicos anticapitalistas, acusam os empresários de sabotadores e inimigos da Pátria. Os verdadeiros inimigos do povo são estes governantes irresponsáveis, ou mal intencionados, que gastam mais do que aquilo que existe para gastar e levam os países a processos inflacionários, dos quais para se livrarem, toda a população paga um alto custo social onde os mais pobres são os maiores prejudicados. Esta é a situação do Brasil neste momento, e da Argentina em situação ainda pior.
Em certas circunstâncias, por paradoxal que possa parecer, é prudente que se ande mais devagar para que se chegue em menos tempo e sem percalços a um objetivo almejado. Esta é a tática dos maratonistas vitoriosos. Para ganhar a corrida eles não podem dar piques como se fossem correr 100 metros rasos. Com a economia de um país acontece o mesmo. Porém os governantes, pressionados pela oposição demagógica em nome da justiça social, e com medo de perder a próxima eleição, imprimem um ritmo de crescimento e de distribuição de benefícios superior a capacidade do País, para logo em seguida perder o fôlego e entrar em desaceleração econômica. É por isso que se verificam períodos alternados de crescimento e decréscimo econômico, provocados pela ânsia muitas vezes até bem intencionada dos governantes em acelerar o desenvolvimento.
Vamos supor agora que, como no exemplo anterior, existam 100 unidades de dinheiro e 100 unidades de produtos, onde o mercado estabeleceria automaticamente, o preço de 1 real, dividindo a quantidade de dinheiro em circulação pela quantidade de produtos existentes. Digamos que o governo resolveu tabelar o preço da unidade de produto em 0,50 unidades de dinheiro (cinqüenta centavos). Então as 100 unidades de produtos existentes serão compradas por apenas 50 unidades de dinheiro (cinqüenta reais) e sobrarão outras 50 unidades de dinheiro (cinqüenta reais) que não terão nenhuma serventia, pois que não há mais produtos a disposição. Haverá dinheiro e não haverá o que comprar. Isto ocorre sempre que o governo tabela e congela preços, pretendendo combater a inflação sobre a qual ele, governo, é o único responsável. Este fenômeno é observado, ao longo da história, sempre que o governo tenta combater a inflação com controles de preços. Nos países socialistas, este fenômeno é constante, porque todos os preços são tabelados e o sistema produtivo não consegue suprir as necessidades da população. As pessoas têm o dinheiro na mão, mas não encontram mercadorias para comprar.
Gostaria ainda de tecer alguns comentários sobre a relação internacional das moedas, ou seja , sobre o câmbio. Utilizando-me ainda do exemplo anterior, se um determinado país possui 100 unidades de produtos e 100 unidades de dinheiro, ou seja, um PIB de 100 e uma base monetária de 100, temos uma relação de 1/1. Se outro país possui um PIB de 1000 e uma base monetária de 1000, também temos uma relação de 1/1. Se esses dois países forem, por exemplo, respectivamente, Argentina e Brasil, uma maçã na Argentina terá o preço de 1 peso e no Brasil de 1 real. Neste caso o mercado estabelece uma paridade cambial automática entre as moedas desses dois países: 1 peso é igual a 1 real que é igual a 1 maçã.. Se no decorrer do tempo houver evoluções desiguais na relação moeda/produto desses países, ou seja, se em um deles houver inflação maior do que no outro, a paridade deixará de existir. Se na Argentina houver um aumento da base monetária de 100 para 110, permanecendo o PIB em 100 e no Brasil mantendo-se os mesmos valores, a paridade cambial deixará de existir. Nesta nova situação, na Argentina serão necessários 1,1 pesos para se comprar 1 maçã, enquanto que no Brasil será necessário apenas 1 real, donde se conclui que 1 real eqüivale a 1,1 pesos que eqüivale a 1 maçã. Quando, nestes casos, os países não permitem a livre flutuação do câmbio para se ajustar a nova situação, causam distorções nas relações internacionais de preço.

criado por frypl    12:06 — Arquivado em: Sem categoria

A MOEDA - PARTE II

A seguir disponibilizo um dos capítulos do meu livro “É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI”, em quatro partes.
O livro pode ser encontrado em http://www.siciliano.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1446672&ID=C942ABAC7D8051A162B160622&FIL_ID=102

 
Farei mais três simulações, alterando as quantidades de produto e as quantidades de dinheiro em circulação, visando demonstrar a diferença entre inflação e alta de preços:
1) Se a quantidade de dinheiro for diminuída em 10%, e mantida a quantidade de produto, teremos 90 unidades de dinheiro para 100 unidades de produto. 90 reais divididos por 100 produtos é igual a 0,90. Cada unidade de produto custa, então, noventa centavos. Tivemos uma correção de preço para baixo devido a uma deflação de 10%.
2) Se houver uma diminuição na quantidade do produto para 90 unidades, e for mantida a quantidade de dinheiro em circulação em 100 unidades de dinheiro, teremos 100 reais divididos por 90 unidades de produto, que é igual a 1,11. Tivemos uma alta de preços de 11%, pela diminuição do produto, sem que tenha havido inflação.
3) Se houver um aumento na quantidade de produto em 10%, sem que haja alteração na quantidade de dinheiro em circulação, teremos 100 reais divididos por 110 produtos que é igual a 0,90. Cada unidade de produto custa então, noventa centavos. Tivemos uma baixa do preço em 10%, pelo aumento da quantidade de produto, sem que tenha havido deflação.
Estas considerações são válidas para um mercado que esteja funcionando livremente, sem a interferência do governo no que se refere a preço. É obvio também, que na realidade o sistema não é tão simplificado como apresentado nas simulações, porém o princípio de funcionamento está totalmente correto.
Diante do exposto, podemos concluir que os preços nominais de mercado dependem da quantidade de dinheiro em circulação e da quantidade de produtos em oferta. Portanto, os preços podem variar por duas razões: 1ª- Quando os preços oscilam em função da variação da quantidade de produtos ou variação do consumo é alta ou baixa dos preços. 2ª- Quando os preços oscilam em função da variação da quantidade de dinheiro em circulação é inflação ou deflação. Por isso, quando há uma alta de todos os preços dentro do país, e se sabe que praticamente não houve variação do PIB, é sinal de que o governo está fabricando dinheiro para gastar, está aumentando a quantidade de dinheiro em circulação sem o correspondente aumento da produção. Portanto, nos processos inflacionários, é ignorância técnica das pessoas e das entidades acusar os empresários e o “neoliberalismo” ou a quem quer que seja de responsáveis pela inflação. Em qualquer país o governo é o responsável pela inflação, pois detém o monopólio da fabricação de dinheiro. E, aos defensores da teoria da inflação inercial nada tenho a opor, apenas acrescento que da mesma maneira o governo é quem causa o desequilíbrio inicial, vencendo a inércia da estabilidade e dando a partida aos processos inflacionários.
Pode-se visualizar nesse quadro que a situação ideal para o trabalhador (consumidor) é haver aumento na oferta do produto (aumento do PIB), e escassez na oferta de mão-de-obra.(diminuição do desemprego). A combinação desses dois fatores que são fomentados pela acumulação de capital, fará o preço dos produtos baixarem e o preço dos salários subirem, natural e gradativamente. E, é dessa maneira inteligente e pacífica que o capitalismo/liberalismo promove uma melhor distribuição de renda, sem luta de classes, sem greves, sem destruição de patrimônios, sem vítimas e sem consumo de energia humana desnecessário, infrutífero e antiproducente.
Em todos os países existentes sobre a face da terra, dos mais socialistas aos mais capitalistas, os seus governos possuem o monopólio da fabricação de dinheiro. Dessa maneira, o governo é quem é o responsável e quem deve zelar pela manutenção do valor da moeda do país. Como é que o governo evita a desvalorização da moeda? Evitando aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. E como é que o governo evita o aumento da quantidade de dinheiro em circulação? Mantendo as suas contas equilibradas, isto é, não gastando mais do que arrecada. O governo só pode aumentar a quantidade de dinheiro em circulação quando primeiro for aumentada a quantidade do produto.
Não é de admirar que a maioria da população não instruída desconheça a relação existente entre o aumento da quantidade de dinheiro em circulação e a inflação. (A emissão é a inflação em si mesma e a subida dos preços a conseqüência). O que não se pode admitir é que certas pessoas influentes e formadoras de opinião, principalmente economistas pós graduados, depois de passarem vários anos esfregando os traseiros nos bancos das universidades, não compreendam essa relação elementar. É de causar indignação quando se assiste aos repórteres, comentaristas e colunistas das maiores redes de comunicação do País, todos com formação superior, fazerem escola ao acusarem o chuchu ou o tomate de vilões da inflação do mês.
Imagine se só você pudesse fabricar dinheiro e fosse proibido o aumento dos preços! Você compraria o país inteiro. Agora imagine você, se os particulares não se defendessem do governo reajustando os preços dos seus produtos quando o governo emite dinheiro (fabrica papel pintado) acima do aumento do PIB, de maneira continuada. Ocorreria a transferência de todo o patrimônio particular para a posse do governo. Seria a intervenção total, ou seja, uma completa estatização, ou ainda, o socialismo econômico real.
Quando o governo congela preços e emiti dinheiro sem lastro, causa uma total desorganização na economia de mercado, levando a iniciativa privada à uma situação muito difícil. Aí então, o governo, apoiado pela elite burra ou mal intencionada (não se sabe) e pela população ignorante – como já aconteceu neste País em outras oportunidades (é possível que ocorra novamente) - poderá dizer aos empresários em má situação: infelizmente, a iniciativa privada não é competente o bastante visto que está falindo, nem socialmente justa pois está demitindo seus empregados. A única saída é estatizar estas empresas. Possivelmente os socialistas/comunistas irão se utilizar deste artifício, caso vençam as próximas eleições presidenciais, para promover a estatização.
O FMI há muito tempo vem tentando conscientizar os governantes dos países aos quais socorre, da necessidade do rigoroso equilíbrio das contas públicas desses países. Contas públicas equilibradas criam um clima favorável ao desenvolvimento, e impedem o avanço da intervenção econômica na iniciativa privada, isto é, impedem o avanço do socialismo. É por este motivo que os socialistas/comunistas odeiam o FMI.
Até poucos dias atrás as prefeituras e os governos estaduais debitavam o seu excesso de consumo por conta de empréstimos contraídos junto ao governo federal – operador da máquina de fabricar dinheiro - e que nunca eram saldados. Só se ouvia falar da rolagem e aumento dessas dívidas. Agora, com a Lei da Responsabilidade Fiscal, a farra acabou. Este é um indício de que o Brasil caminha para o equilíbrio fiscal e no rumo certo para a conquista e a manutenção de uma moeda forte e respeitada, um dos pré-requisitos para o desenvolvimento.

criado por frypl    11:33 — Arquivado em: Sem categoria

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